Damasco não aceitará trégua em Aleppo a menos que rebeldes se retirem

Beirute, 6 dez (EFE).- O governo da Síria advertiu nesta terça-feira que rejeitará qualquer tentativa de impor um cessar-fogo em Aleppo, no norte do país, que não inclua a saída dos rebeldes da cidade.

Em comunicado divulgado pela agência de notícias oficial "Sana", o Ministério de Relações Exteriores sírio rejeitou "qualquer tentativa de alguma das partes para (estabelecer) um cessar-fogo no leste de Aleppo, a menos que garanta a saída de todos os terroristas".

Segundo a nota, "a Síria não abandonará os cidadãos do leste de Aleppo que são reféns dos terroristas e vai fazer todos os esforços possíveis para libertá-los".

Em Moscou, o chefe da diplomacia russa, Sergei Lavrov, afirmou hoje que os Estados Unidos estão protelando o início das consultas russo-americanas em Genebra para a retirada dos insurgentes da metade oriental de Aleppo.

Por outro lado, o Ministério sírio agradeceu a Moscou e Pequim o uso do poder de veto no Conselho de Segurança da ONU "contra um projeto de resolução que fala de uma trégua e não garante a saída dos combatentes do leste de Aleppo, o que lhes dá a possibilidade de reagrupar e repetir seus crimes".

Ontem à noite, a Rússia, com o respaldo de China e Venezuela, vetou pela sexta vez uma iniciativa sobre a Síria no Conselho de Segurança da ONU, neste caso um texto que buscava uma trégua humanitária de sete dias em Aleppo.

A iniciativa, impulsionada por Espanha, Egito e Nova Zelândia, buscava a interrupção imediata das hostilidades na cidade por um período inicial de sete dias que poderia ser renovado depois.

Em sua nota, o Ministério das Relações Exteriores sírio considerou que "a eliminação do terrorismo é a única maneira de acabar com o sofrimento de civis inocentes", que, na sua opinião, são "vítimas do terrorismo 'takfiri' (muçulmano radical) e da hipocrisia do Ocidente".

Por outro lado, o Executivo sírio condenou "nos termos mais rotundos" o ataque "terrorista" de ontem com foguetes contra um hospital de campanha russo em Aleppo, que causou a morte de duas médicas russas e deixou outro profissional de saúde da mesma nacionalidade com ferimentos graves.

O governo sírio explicou que esse centro proporcionava assistência de saúde aos feridos vítimas do "terrorismo takfiri".

"Esses ataques criminosos mostram claramente a natureza terrorista dos grupos armados que o Ocidente insiste em descrever como moderados, o que o transforma em responsável político e legal desses crimes ao proporcionar todo tipo de apoio aos grupos terroristas", ressaltou o Ministério das Relações Exteriores da Síria no comunicado.

Desde 15 de novembro, Aleppo é alvo de uma ofensiva do exército sírio e de seus aliados que pretendem expulsar os insurgentes dos distritos do leste da cidade.

O líder do opositor Exército Livre Sírio (ELS), general Ahmed Berri, rejeitou hoje uma retirada dos rebeldes de Aleppo e garantiu que seu grupo não manteve contatos com Rússia e EUA sobre este tema. EFE

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