Farc adiam mudança a locais de concentração por falta de infraestrutura

Bogotá, 6 dez (EFE).- As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) informaram nesta terça-feira que não iniciarão a ida para os locais onde devem se concentrar como passo prévio ao desarmamento e à desmobilização devido à falta de infraestrutura nessas áreas e a "obstruções jurídicas".

A concentração em 23 zonas rurais faz parte do acordo de paz assinado em 24 de novembro, mas, segundo disse nesta terça-feira o chefe da equipe negociadora das Farc, Luciano Marín, conhecido como "Ivan Márquez", não será possível enquanto não entrarem em vigor "as suspensões de ordens de captura" dos guerrilheiros.

"A última instância de condução política do país ordenou acelerar a adequação das zonas de normalização às quais devem confluir as unidades guerrilheiras de pré-agrupamento uma vez estejam espaçosos os caminhos de obstruções jurídicas e em vigor as suspensões de ordens de captura", disse Márquez à imprensa em Bogotá.

As Farc reiteraram o compromisso de cumprir o acordo, se desmobilizar e deixar as armas, e asseguraram que se ofereceram para que os guerrilheiros trabalhem na construção da infraestrutura necessária para alojá-los nas zonas e pontos de reunião.

O acordo de paz, referendado pelo Congresso em 30 de novembro, estabelece que no dia seguinte a esse passo começaria o "dia D" para a implementação do pactuado. Isso inclui o início, cinco dias depois (nesta terça-feira), da mudança dos guerrilheiros às zonas onde se concentrarão.

"Nos mantemos firmes no propósito de paz, com a esperança de que finalmente este abrace a Colômbia", disse "Márquez" ao enfatizar o compromisso das Farc com o processo apesar do atraso no início da mudança.

Neste sentido, comentou que uma vez que fiquem nas zonas projetadas, o governo "transferirá para esses espaços os guerrilheiros e colaboradores presos por crimes não indultáveis, segundo a legislação anterior à entrada em vigência da lei de anistia".

Esse projeto legislativo, que deve ser aprovado no Congresso, contém o perdão jurídico aos guerrilheiros que não tenham cometido delitos graves segundo a tipificação do Estatuto de Roma, tais como crimes contra a humanidade, abusos sexuais e recrutamento de menores, entre outros.

"Márquez" esclareceu que o mecanismo de monitoração e verificação do cessar-fogo, composto por membros das Farc, o governo e a ONU, está realizando visitas a essas zonas para "de maneira coordenada estabelecer a infraestrutura necessária para receber os guerrilheiros".

Jesús Santrich, conhecido como Seusis Pausivas Hernández, outro dos negociadores das Farc, explicou que os membros da guerrilha passaram de "cenários de desdobramento estratégico para a guerra" para o "desdobramento estratégico para a paz".

"Estamos muito próximos, mas não podemos ser irresponsáveis e entrar onde não há onde dormir e fazer as necessidades básicas", destacou Santrich, que considerou o processo de reunião nas zonas projetadas "mais antecipado do que deveria".

Diante desta situação, outro dos negociadores, Milton de Jesús Toncel Redondo, conhecido como "Joaquín Gómez", explicou que como a adaptação das zonas está "supremamente atrasada", os próprios guerrilheiros se oferecerão para ajudar a construir as infraestruturas "como antecipação à justiça restauradora".

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