Papa Francisco diz que "a Europa precisa de líderes"

Cidade do Vaticano, 7 dez (EFE).- O papa Francisco afirmou que "hoje em dia os líderes fazem falta" e que "a Europa precisa de líderes" para prosseguir com o "Guerra Nunca Mais", um dos lemas dos pais fundadores da União Europeia, em entrevista publicada na revista católica belga "Tertio".

"Esse 'Guerra Nunca Mais' acredito que é algo que a Europa disse sinceramente. Schumann, De Gasperi, Adenauer (pais fundadores da UE) o disseram sinceramente. Mas depois... Hoje em dia os líderes fazem falta; a Europa precisa de líderes, líderes que vão além...", disse Francisco, segundo a transcrição literal da entrevista divulgada nesta quarta-feira pelo Vaticano.

O pontífice garantiu que "esse 'Guerra Nunca Mais' não foi levado a sério" porque, "depois da Segunda (Guerra Mundial), entramos na Terceira, que estamos vivendo agora em pedacinhos. Estamos em guerra. O mundo está fazendo a Terceira Guerra Mundial: Ucrânia, Oriente Médio, África, Iêmen...".

O papa denunciou que enquanto gritam contra a guerra, os mesmos países fabricam armas e as vendem aos mesmos oponentes.

"Há uma teoria econômica que eu nunca consegui constatar, mas li em vários livros: que na história da humanidade, quando um Estado percebia que seus balanços não andavam, faziam uma guerra e colocava em equilíbrio seus balanços. Ou seja, é uma das formas mais fáceis de se obter riqueza. Claro, o preço é muito caro: sangue", afirmou o pontífice.

Francisco retomou nesta entrevista o tema da guerra em nome da fé e reiterou que "nenhuma religião, como tal, pode fomentar a guerra" mas sim as "deformações religiosas".

"Por exemplo, todas a religiões têm grupos fundamentalistas. Todas. Nós também. E a partir daí, pproduzem destruição com seu fundamentalismo.(...) Esses são os grupos fundamentalistas que todas as religiões têm. Sempre há um grupinho...", acrescentou o religioso.

O papa também defendeu a "laicidade saudável do Estado" ao assegurar que, "em geral, o Estado laico é bom. É melhor que um Estado confessional, porque os Estados confessionais terminam mal".

No entanto, Francisco fez questão de ressaltar a diferença entre laicidade e laicismo, pois este último "fecha as portas à transcendência: à dupla transcendência, tanto a transcendência para com os demais como, sobretudo, a transcendência para com Deus".

Em outra de suas respostas, o papa argentino advertiu sobre como os veículos de imprensa "podem ser tentados pela calúnia, sobretudo no mundo da política; e podem ser usados como difamação".

"Uma coisa nos veículos de imprensa que pode causar muito prejuízo é a desinformação. Ou seja, frente a qualquer situação dizer uma parte da verdade e não a outra. Não! Isso é desinformar", afirmou o pontífice.

Francisco pediu aos veículos de comunicação que "não caiam - sem ofender, por favor - na doença da coprofilia: que é buscar sempre informar o escândalo, informar as coisas feias, mesmo que sejam verdade".

"E como as pessoas tem tendência à coprofagia, isso pode causar muitos prejuízos", acrescentou a figura máxima do catolicismo.

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