Pequim pede que Abe visite memoriais de guerra na China, não só Pearl Harbor

Pequim, 7 dez (EFE).- O governo da China propôs nesta quarta-feira ao primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, que visite os memoriais de guerra que lembram a invasão do país por japoneses na Segunda Guerra Mundial, em vez de se limitar a ir apenas a Pearl Harbor, a ilha que provocou a entrada dos Estados Unidos no conflito, em viagem programada para o fim deste mês.

"Se o Japão quer refletir sobre essa parte de sua história e pedir perdão, há muitos locais na China, como o memorial do Massacre de Nankin", afirmou hoje o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Lu Kang, em entrevista coletiva.

"Da mesma forma que o incidente de Pearl Harbor estará sempre na mente do povo americano, os chineses não se esqueceram do grande sacrifício e de todos os compatriotas que morreram em Nankin", completou o representante da diplomacia de Pequim.

O porta-voz se referia ao massacre de 300 mil pessoas, muitas delas civis, mortas pelo Exército do Japão em 1937, ao conquistar a então capital da China na época.

Lu também sugeriu outros possíveis locais da China que Abe poderia visitar para apresentar desculpas em nome do Japão, como o monumento que lembra a falsa agressão de 1931 (um atentado contra um trem japonês que foi organizado pelos próprios militares do país), que serviu de desculpa como início da invasão.

"Nossos vizinhos da Ásia também têm outros locais em que guardam lembranças de crimes que não devem ser esquecidos. A história não deve ser reescrita", completou o porta-voz.

Abe anunciou recentemente que irá visitar Pearl Harbor, se transformando no primeiro líder do Japão a ir ao local desde o ataque em 1941. O gesto é histórico nas relações entre japoneses e norte-americanos e, de certo modo, responde à viagem que o presidente dos EUA, Barack Obama, fez a Hiroshima em maio.

O governo do Japão esclareceu ontem que Abe prestará uma homenagem às vítimas do ataque aéreo contra a base militar no Havaí, mas não pedirá desculpas durante a visita, do mesmo modo que Obama também não solicitou expressamente perdão às vítimas das duas bombas nucleares lançadas pelos EUA em 1945.

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