Técnica que questionou plano de voo da Lamia denuncia pressões na Bolívia

La Paz, 8 dez (EFE).- A técnica aeronáutica boliviana Celia Castedo, que pediu refúgio no Brasil, disse nesta quinta-feira que foi alvo de pressões da entidade de administração aeroportuária onde trabalhava para mudar o conteúdo do relatório com observações ao plano de voo da companhia aérea Lamia, que caiu na Colômbia.

Em carta publicada hoje no site do jornal boliviano "El Deber", Castedo, técnica da Administração de Aeroportos e Serviços Auxiliares à Navegação Aérea (AASANA), declarou que depois do acidente da aeronave foi "submetida a fustigação e pressões" por parte de seus superiores.

No último dia 29 de novembro, após o acidente ocorrido na noite anterior perto de Medellín, "é quando se inicia tudo, me ordenam a modificar o conteúdo do relatório que horas antes minha pessoa tinha apresentado por via interna, no qual se detalhava as cinco observações que realizei ao plano de voo da linha Lamia", afirmou Castedo.

No acidente morreram 71 de 77 passageiros, entre eles quase todo o time da Chapecoense.

Na carta, a técnica, que entrou no Brasil alegando que não confia na Justiça da Bolívia, especificou que as competências para autorizar voos não são nem dela nem da instituição na qual trabalhava, mas da Direção Geral de Aeronáutica Civil.

Além disso, disse que o fato de que haja constância que recebeu o plano de voo não significa que o tenha aprovado.

"O carimbo e minha assinatura impressa no citado plano de voo representam um protocolo de recepção do documento e, portanto, sob nenhuma circunstância significa aprovação ou autorização a uma aeronave para a realização de um voo", destacou no comunicado.

Castedo apresentou cinco observações ao plano de voo e as reportou em três ocasiões à companhia aeronáutica, a primeira duas horas antes da decolagem e a última 20 minutos antes.

A técnica reiterou que chamou a atenção sobre a autonomia de voo da aeronave, que caiu antes de chegar a Medellín supostamente por falta de combustível, segundo as primeiras investigações.

Em seu texto, Castedo específica que avisou à companhia aérea dos problemas do plano de voo porque eles eram os responsáveis por corrigi-las, mas não fica claro se alertou seus superiores da AASANA nesse momento dos problemas detectados antes que o voo decolasse.

O governo assinalou que Castedo apresentou o relatório com observações depois do acidente e insistiu que sua obrigação era reportar seus questionamentos e rejeitar o plano de voo.

Castedo também declarou que, no dia 2 de dezembro, a AASANA a submeteu a uma audiência de declaração informativa sem permitir-lhe ter um advogado presente e quatro horas depois o diretor regional da entidade, Rubén Marcelo Chávez, apresentou uma denúncia criminal contra ela.

A técnica considera que seus direitos constitucionais, sua presunção de inocência e o direito ao devido processo foram violados, e alegou que por isso está tramitando um pedido de asilo no Brasil.

A AASANA suspendeu sua funcionária no dia 30 de novembro e a denunciou perante a procuradoria de Santa Cruz, de onde decolou o avião, na sexta-feira, 2 de dezembro, por não avisar seus superiores das cinco observações que realizou ao voo, entre elas a constatação que a autonomia de voo era igual ao trajeto.

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