Assembleia Geral da ONU reivindica cessação das hostilidades na Síria

Nações Unidas, 9 dez (EFE).- A Assembleia Geral da ONU reivindicou nesta sexta-feira uma cessação das hostilidades na Síria e exigiu às partes em conflito que protejam os civis e permitam a distribuição de ajuda humanitária.

A reivindicação aparece em uma resolução impulsionada pelo Canadá e que recebeu o respaldo de 122 países, a abstenção de 36 e o voto contra de 13 (entre eles a própria Síria, Rússia, China, Irã, Cuba e Venezuela).

O texto, que não tem caráter vinculativo, chegou em resposta à situação de bloqueio que se vive no Conselho de Segurança da ONU, onde a Rússia vetou até seis projetos de resolução sobre a Síria, em cinco casos com o respaldo da China.

Ao contrário das resoluções do Conselho, que é o órgão que habitualmente se ocupa dos conflitos e da manutenção da paz, as da Assembleia Geral não podem ser impostas pela força.

O embaixador canadense na ONU, Marc-André Blanchard, defendeu que o objetivo do texto é mostrar a união do mundo para dizer que "as vidas dos sírios importam".

"Devemos permanecer unidos e dizer 'basta'. Os civis não são um alvo militar, os hospitais não são um alvo militar", disse Blanchard ao apresentar o texto perante os outros 193 Estados-membros das Nações Unidas.

Para o diplomata canadense, a guerra síria "se transformou na vergonha de nosso tempo", mas é um conflito que pode ter fim.

A resolução reivindica um "fim imediato e completo de todos os ataques contra civis", a cessação das hostilidades e que se facilite o fornecimento de ajuda humanitária a toda a população necessitada.

No plano político, respalda um processo de paz facilitado pela ONU e sobre a base das conversas mantidas durante os últimos anos em Genebra.

O governo sírio, por sua parte, se mostrou totalmente oposto à iniciativa e acusou o Canadá de atacar sua soberania.

O embaixador sírio, Bashar Yafari, declarou que a Assembleia Geral não deveria abordar a situação em seu país a menos que fosse solicitado pelo Conselho de Segurança.

Quem também falou contra a resolução foi a Rússia, o grande aliado de Damasco, para quem o texto tem "grandes deficiências".

Entre elas, uma "ênfase acusatória contra o governo" sírio e uma "simplificação da ameaça terrorista", afirmou o representante russo na ONU, Vitaly Churkin, que também criticou que o pedido de cessação de hostilidades não especifique que este não deve incluir os grupos terroristas.

Churkin também voltou a afirmar que a intervenção de seu país na Síria tem como objetivo-chave "aliviar a situação dos civis" e combater o terrorismo.

O embaixador russo, no entanto, deu a entender que para Moscou o grosso dos rebeldes são extremistas violentos que devem ser combatidos.

"A noção fantasma de uma oposição síria moderada desabou", comentou Churkin.

Vários dos países que discursaram no debate chamaram a atenção para a situação na cidade de Aleppo e urgiram iniciativas para evitar um desastre ainda maior ali.

"Este é um voto para levantar-se e dizer à Rússia e (ao presidente sírio Bashar al) Assad que detenham este massacre", destacou a embaixadora americana na ONU, Samantha Power.

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