Romênia encerra campanha para eleições legislativas marcada pela corrupção

Bucareste, 9 dez (EFE).- A Romênia encerra nesta sexta-feira a campanha das eleições parlamentares de domingo, marcada pelas denúncias de corrupção e pela previsão de vitória do Partido Social-Democrata (PSD), embora deva ser preciso negociar uma coalizão.

"A corrupção significa pobreza, estagnação, desprezo pelos cidadãos e a lei. A corrupção mata", declarou hoje o chefe de Estado romeno, Klaus Iohannis, em entrevista coletiva na qual instou os cidadãos a exercer seu direito a voto.

Por sua parte, a Procuradoria Anticorrupção advertiu do risco que, após o pleito, sejam adotadas modificações da lei que obstaculizem seu trabalho, apesar de ser a instituição que goza de mais confiança entre os romenos após ter levado à Justiça vários antigos ministros.

"Se a legislação for modificada e os procuradores não puderem investigar distintas infrações, já não seremos tão eficientes", disse ontem à noite a procuradora-chefe, Cordruta Kovesi, à emissora de televisão "Digi24".

Todas as pesquisas preveem um claro triunfo dos social-democratas, mas sem chegar à maioria absoluta.

Portanto, a previsão é que o PSD se verá obrigado a pactuar com outros partidos minoritários para formar um governo que substitua o atual do primeiro-ministro independente, Dacian Ciolos.

O PSD se encontra em uma situação incomum, já que seu líder, Liviu Dragnea, não pode apresentar-se como candidato por ter sido condenado no passado por fraude eleitoral, segundo uma lei aprovada em 2001 por um governo social-democrata.

Até o momento, Dragnea se recusou a revelar quem dirigirá o país nos próximos quatro anos se seu partido triunfar no domingo, mas são ventilados os nomes dos antigos ministros Eugen Teodorivici e Rovana Plumb.

Por sua parte, Ciolos, antigo comissário europeu de Agricultura (2010-2014), se apresenta como candidato para a reeleição com o apoio de duas formações conservadoras, o Partido Nacional Liberal e a União Salve a Romênia, segundo e terceiro colocados nas intenções de voto, respectivamente, segundo as pesquisas.

Ciolos se comprometeu durante a campanha a manter a disciplina orçamentária, enquanto a maioria de seus oponentes prometeram tanto grandes aumentos salariais para funcionários e aposentados como rebaixamentos de impostos.

"Seria um perigo ter um governo populista, que se baseasse em cálculos não realistas que só conseguiriam aumentar o déficit sem estimular o emprego e o crescimento econômico sustentável", advertiu o primeiro-ministro.

"Não se pode aumentar a receita, reduzir os impostos e manter o déficit abaixo de 3%", como exige a União Europeia, ressaltou Ciolos, que assumiu a chefia do governo após a renúncia do gabinete social-democrata em novembro de 2015 pela revolta social suscitada por um incêndio em uma boate da capital que causou 64 mortes.

Neste pleito concorrem várias legendas menores, como o Grupo da Aliança dos Liberais e Democratas pela Europa do ex-primeiro-ministro e atual presidente do Senado, Calin Popescu-Tariceanu, e o Partido Movimento Popular, do ex-chefe do Estado conservador, Traian Basescu.

Também tem chances de entrar no parlamento a União Democrática dos Húngaros da Romênia, formação que recebe o apoio do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban.

Os institutos de pesquisa preveem uma afluência às urnas relativamente baixa, por volta de 50%, o que beneficiaria os social-democratas por ter um eleitorado mais fiel que outras legendas políticas.

Após ter saído da recessão, a expectativa é que a Romênia tenha neste ano um crescimento econômico de 5,1% do Produto Interno Bruto, o maior aumento da União Europeia.

Mesmo assim, uma de cada três pessoas vive sob risco de pobreza e três milhões de romenos deixaram o país em busca de uma melhor qualidade de vida.

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