Rússia afirma que ofensiva em Aleppo seguirá até saída total dos rebeldes

Juan Palop

Hamburgo (Alemanha), 9 dez (EFE).- A ofensiva militar do regime sírio na cidade de Aleppo seguirá após a paralisação de ontem para permitir a saída de civis, e se prolongará até a completa saída dos grupos rebeldes, de acordo com informações divulgadas de Moscou nesta sexta-feira.

O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, deu conta da postura da Rússia e seu aliado, o presidente sírio Bashar al-Assad, em um encontro com os veículos de imprensa por causa do conselho da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), que termina hoje após dois dias de sessões e encontros em Hamburgo (nordeste da Alemanha).

A suspensão das ações de ontem nunca esteve projetada para ser duradoura, esclareceu Lavrov, mas foi uma medida conjuntural dado o volume de civis que queriam fugir dos bairros no leste da cidade síria, os controlados desde 2012 pelos rebeldes, por causa dos intensos bombardeios.

Neste sentido, acrescentou que "com toda segurança" o Exército sírio reativará sua ofensiva quando terminar esta emergência humanitária e que a manterá "até que os bandidos abandonem o leste de Aleppo".

De fato, o Observatório Sírio de Direitos Humanos informou hoje sobre quatro novos bombardeios -por enquanto, sem vítimas- nos bairros assediados do leste da cidade síria de Aleppo, controlados pelos rebeldes.

Lavrov negou, além disso, que esteja ocorrendo "táticas dilatórias" à espera da chegada ao poder da nova administração nos EUA e lembrou que nos últimos dois dias manteve três encontros pessoais e quatro conversas telefônicas com o secretário de Estado americano, John Kerry.

Graças a estes contatos, no sábado serão retomadas as negociações em nível diplomático e militar em Genebra entre Rússia e Estados Unidos para abordar a saída dos rebeldes do leste de Aleppo.

Estas novas conversas, prosseguiu o ministro russo, são uma "grande oportunidade" para melhorar a cooperação entre Washington e Moscou.

O ministro das Relações Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, que exerce a presidência rotatória da OSCE, disse que "não estamos onde deveríamos" na questão síria, mas qualificou este acordo de "um pequeno passo adiante".

A reabertura dos contatos entre Rússia e EUA em torno de Aleppo é o único resultado concreto a curto prazo do conselho da OSCE, apesar de que -por competências- não foi um assunto abordado propriamente nas sessões oficiais.

Sobre o conflito no leste da Ucrânia, a questão-chave deste fórum, não houve nenhum avanço e, de forma esclarecedora, a questão aparece apenas superficialmente entre os 15 pontos que precisam ser concluídos divulgados pela presidência do conselho.

Uma declaração conjunta dos 57 Estados-membros foi impossível nesta ocasião, apesar de semanas de negociações, já que esta organização opera exclusivamente por consenso.

O texto da presidência alemã assegura que são condenadas as "violações da lei internacional e dos princípios comuns" entre os países-membros e aponta que todos os participantes pedem às partes que cumpram com seus compromissos de forma urgente.

O próprio secretário-geral da OSCE, Lamberto Zannier, reconheceu hoje que "a comunidade de países está dividida" e que o principal elemento de discórdia é a Ucrânia.

"A Ucrânia está muito em cima na agenda", indicou Zannier, que comentou as "dificuldades com os dois grupos, mas preferencialmente com os separatistas", para que o pessoal da OSCE neste país possa realizar sua missão de supervisão.

A representação da União Europeia (UE) afirmou em seu último discurso que a Rússia foi o único país-membro que não respaldou a última minuta de declaração comum, provocando seu fracasso.

A mesma ressaltou que a UE nunca reconhecerá a "anexação ilegal" da Crimeia por parte da Rússia e recalcou seu compromisso com uma Ucrânia independente, soberana e que mantenha sua integridade territorial segundo as fronteiras reconhecidas legalmente.

As delegações da Alemanha e dos dois países que ocuparão a presidência rotativa da OSCE, Áustria e Itália, advogaram, além disso, por reforçar a comunicação nesta organização e por melhorar sua efetividade.

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