Dylan: "Nunca me perguntei se minhas canções são literatura, mas o Nobel sim"

Estocolmo, 10 dez (EFE).- O prêmio Nobel de Literatura, Bob Dylan, afirmou neste sábado em discurso escrito que nunca teve tempo de se perguntar se suas canções são literatura, mas agradeceu à Academia Sueca que o tenha feito e que tenha dado "uma resposta tão maravilhosa" ao conceder-lhe o prêmio.

Dylan não assistiu à cerimônia dos Prêmios Nobel por ter outros compromissos e é a primeira vez que quebra publicamente seu silêncio desde que lhe deram o prêmio em outubro, ao escrever um discurso que foi lido no final do banquete de honra pela embaixadora dos Estados Unidos na Suécia, Azita Raji.

O cantor americano começou seu discurso escrito lamentando sua ausência, mas assegurou que estava "totalmente em espírito" e que se sentia honrado por ter recebido "um prêmio tão famoso".

"Receber o Prêmio Nobel de Literatura era algo que nunca teria podido imaginar, nem vê-lo vir", afirmou Dylan, lembrando que desde pequeno "lia e absorvia" as obras de alguns premiados, "gigantes da literatura" como Rudyard Kipling, George Bernard Shaw, Thomas Mann, Pearl S. Buck, Albert Camus e Ernest Hemingway.

"Que agora eu me una a tal lista de nomes realmente vai além das palavras", afirmou o cantor.

"Se alguém me dissesse que tinha a mínima oportunidade de ganhar o Prêmio Nobel, teria pensado que tinha as mesmas que de estar com a cabeça na lua. De fato, no ano em que nasci (1943) e em outros depois ninguém no mundo foi considerado bastante bom para consegui-lo".

A concessão a Dylan do Prêmio Nobel de Literatura por parte da Academia Sueca foi uma decisão que não agradou a todos, ao ser dado o prêmio a um cantor.

No entanto, "nem uma só vez tive tempo de me perguntar: 'são minhas canções literatura?", afirmou Dylan, agradecendo à Academia Sueca "por separar um tempo de considerar essa questão tão concreta e, em última instância, por dar uma resposta tão maravilhosa".

O novo prêmio nobel afirmou que suas canções, que "são o centro vital de quase tudo", parece que "encontraram um lugar na vida de muita gente em muitas culturas diferentes" e ele é agradecido por isso.

Em seu texto lembrou que quando começou a escrever canções, na adolescência, e inclusive ao ter um pouco de fama, sonhar em grande estilo supunha esperar gravar discos e que suas canções tocassem na rádio, ou seja, chegar "a uma grande audiência" e poder "seguir fazendo o que tinha se proposto".

No final, gravou dúzias de discos, fez milhares de shows no mundo todo, "para 50.000 pessoas, mas também para 50", afirmando que é "mais difícil" fazê-lo no segundo caso.

Quando Dylan soube que tinha ganhado o Nobel, depois de "mais de vários minutos para processá-lo de maneira adequada", se lembrou de William Shakespeare e nas coisas que pensaria ao escrever e criar sua obra, não só do ponto de vista da escrita, mas de detalhes cotidianos.

E como Shakespeare, o cantor também está ocupado "com frequência" na busca de seus esforços criativos e "lidando com todos os aspectos mundanos das coisas mundanas da vida", como quem serão os melhores músicos para uma canção ou se está gravando no estúdio adequado.

"Há coisas que nunca mudam, nem em 400 anos", concluiu Dylan.

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