Macri completa um ano de governo na Argentina marcado por fortes mudanças

Natalia Kidd.

Buenos Aires, 10 dez (EFE).- O presidente da Argentina, Mauricio Macri, completa neste sábado seu primeiro ano de mandato, marcado por fortes mudanças econômicas e políticas após 12 anos e meio de kirchnerismo no poder.

O chefe de Estado, de 57 anos e que desembarcou na Casa Rosada após vencer no ano passado, no segundo turno, o kirchnerista Daniel Scioli, celebra seu primeiro ano de gestão junto com sua família, com alguns dias de descanso em uma estância na província de Córdoba.

Ao sair por alguns minutos para saudar um grupo de apoiadores que se aproximou para felicitá-lo, Macri disse em breves declarações a veículos de comunicação locais que vive esta jornada "agradecido" pelo povo e "esperando engatar o país", cuja economia não conseguiu decolar em 2016.

O líder do partido conservador Proposta Republicana (Pró), que chegou ao poder como parte da coalizão Cambiemos, completa seu primeiro ano de governo com uma imagem positiva que, segundo a maioria das pesquisas, é alta, mas começa a perder pontos entre uma população acossada pela inflação e pela perda do poder aquisitivo.

O governo reconheceu nos últimos dias as dificuldades enfrentadas pela economia, embora alegue que a nova Administração partiu de uma base de cinco anos sem crescimento nem criação de emprego, uma "herança recebida" da gestão de Cristina Kirchner (2007-2015) mais pesada que a que Macri imaginava ao tomar o bastão de comando em 10 de dezembro de 2015.

"Nosso avião estava prestes a se chocar com o chão. Não ter chocado merece uma nota 8, definitivamente", disse hoje em declarações a uma emissora de rádio o presidente provisório do Senado, o governista Federico Pinedo.

Para o analista político Jorge Arias, diretor da empresa de consultoria Polilat, "as expectativas positivas da mudança" representadas por Macri, "que estavam atadas inevitavelmente a alguns processos de ajuste parcial, se frustraram pelo lado do crescimento" econômico, que finalmente não chegou no segundo semestre do ano, apesar das promessas de reativação formuladas pelo governo.

"A sociedade estava esperando os frutos no segundo semestre e já estamos em dezembro e não chegaram. Então isto trouxe mau humor social e problemas internos no governo por diferenças de enfoque", declarou Arias à Agência Efe.

O fim do ciclo kirchnerista trouxe mudanças não só na condução do Executivo, mas também na Justiça, com a reativação de várias investigações por suposta corrupção que afetam membros do governo anterior, e no parlamento, com uma composição sem maiorias absolutas que obriga governo e oposição a buscar consensos, um exercício que nem sempre resulta fácil.

Este último ficou em evidência nos últimos dias, quando a oposição conseguiu impor na Câmara dos Deputados um projeto para reformar o imposto que pesa sobre os salários, o que gerou uma forte rejeição no governo, que agora tentar reverter o destino da iniciativa em um Senado dominado pela oposição.

No entanto, as mudanças mais notáveis para a Argentina neste primeiro ano de Macri à frente do Executivo se concentram na agenda econômica, com a normalização das estatísticas oficiais, a liberação do mercado cambial, a abertura das importações, o fim do conflito com os fundos querelantes pela dívida soberana e uma clara aproximação dos mercados, do investimento estrangeiro e dos organismos financeiros internacionais.

Esta mudança de rumo implicou também em medidas de ajuste, que impactaram na atividade econômica - o Produto Interno Bruto (PIB) fechará 2016 com uma queda próxima a 2%, segundo consultores privados -, na perda de empregos, em uma taxa de inflação alta - embora em desaceleração nos últimos meses - e em um nível de pobreza que afeta um terço da população.

"A Argentina está em uma transição, que está cobrando um preço barato, porque cada vez que a Argentina fez uma mudança de regime econômico foi com crise e desta vez está fazendo uma virada de política, mas sem uma crise profunda", opinou à Agência Efe Martín Polo, economista-chefe da empresa de consultoria Analytica.

O analista está otimista e acredita que a Argentina voltará a crescer no próximo ano, um fator que terá seu peso próprio em um 2017 no qual o governo medirá forças com a oposição em eleições legislativas determinantes.

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