Oposição síria se mostra disposta a negociar com regime "sem condições"

Paris, 10 dez (EFE).- A oposição política da Síria está disposta a retomar as negociações com o regime de Bashar al Assad "sem condições prévias", garantiu neste sábado o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Marc Ayrault, após uma reunião de países ocidentais e árabes que apoiam os rebeldes.

Ayrault explicou que foi o coordenador da Comissão Suprema para as Negociações (CSN), órgão da oposição síria, Riad Hiyab, quem lhe transmitiu essa disposição a voltar à mesa de conversas.

A França reuniu representantes dos países aliados da oposição síria em Paris para abordar a crítica situação na cidade de Aleppo e para lançar uma advertência ao regime sírio e à Rússia para que permita a evacuação dos civis e os combatentes que continuam nela.

"A prioridade número um deve ser aliviar o sofrimento, ou seja, a ajuda humanitária", comentou Ayrault, que citou também como prioridades "definir as condições de uma verdadeira transição política" e "continuar a luta contra o terrorismo".

Nesse sentido, o anfitrião das conversas considerou que a batalha de Aleppo "não tem por objetivo acabar com o terrorismo, mas consolidar de forma violenta um ditador", já que, segundo sua opinião, "a verdadeira batalha é travada em outras partes", como na cidade iraquiana de Mossul ou na síria de Raqqa, redutos do Estado Islâmico.

Para o secretário de Estado americano, John Kerry, é "vital" que os civis que assim desejem possam sair de Aleppo e não sejam usados como escudos humanos, razão pela qual instou os dirigentes da oposição síria a permitirem sua saída e a aceitar negociar "para evitar a destruição absoluta da cidade".

No entanto, lembrou que, se Aleppo cair nas mãos de Assad, "todos sabemos que isso não será o final da guerra".

"Digo à oposição que entendemos seu desafio e seu valor. Não têm aviões, nem helicópteros nem tanques, e estão em grande inferioridade numérica. Por isso, para fazer a paz, as pessoas que tem o poder (o regime e Rússia) tem que dar frequentemente os passos mais importantes", considerou.

Após anunciar que em breve uma delegação de seu país se reunirá com outra da Rússia em Genebra para tentar avançar rumo a um cessar-fogo, Kerry mostrou sua "esperança" no êxito das conversas, mas ao mesmo tempo reconheceu que não pode garantir seu sucesso.

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