Trump questiona política de "uma só China" que EUA mantêm desde 1972

Washington, 11 dez (EFE).- O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, pôs em dúvida neste domingo que seja necessário continuar com a política de "uma só China" que foi a base das relações bilaterais desde 1972, e garantiu que não permitirá que o gigante asiático lhe "dite" o que deve fazer.

"Não sei por que temos que estar ligados por uma política de 'uma só China' a não ser que cheguemos a um acordo com a China que tenha a ver com outras coisas, incluindo o comércio", disse Trump em entrevista transmitida hoje na emissora de televisão "Fox News".

Durante mais de quatro décadas, os Estados Unidos basearam suas relações com o gigante asiático no princípio de uma "só China", pela qual o único governo chinês que Washington reconhece é o de Pequim, o que lhe afasta das aspirações independentistas de Taiwan.

Trump gerou tensões na China ao aceitar recentemente uma ligação da presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, que ligou para felicitá-lo por sua vitória nas eleições presidenciais de novembro.

"Não quero que a China dite (o que tenho que fazer) e esta foi uma ligação que me passaram, eu não iniciei a conversa, e foi uma ligação muito curta que dizia 'felicidades por sua vitória'", ressaltou hoje Trump ao assegurar que teria sido "desrespeitoso" rejeitar a conversa.

Trump argumentou que os Estados Unidos estão sofrendo muito com a China pela desvalorização do iuane, seus fortes impostos nas fronteiras e com a construção de uma enorme fortaleza no meio do Mar da China Meridional, "o que não deveriam fazer".

O magnata considerou, além disso, que Pequim "não está ajudando em absoluto com a Coreia do Norte" e seu programa nuclear, um problema "que eles poderiam resolver".

O governo chinês advertiu Trump neste mês que a única maneira de manter a atual cooperação entre ambos países é o respeito de Washington ao princípio de uma "só China", dado que o gigante asiático considera a ilha de Taiwan como uma província "rebelde" e parte do território sob sua soberania.

Essa política guiou as relações entre EUA e China desde 1972, sete anos antes que restabelecessem totalmente seus laços diplomáticos, e a atual Casa Blanca de Barack Obama advertiu que esse princípio é essencial para a estabilidade do diálogo com Pequim.

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