Após ano favorável, Xi Jinping ganha impulso para um 2017 decisivo

Paloma Almoguera.

Pequim, 12 dez (EFE). - O presidente da China, Xi Jinping, encerra um ano que lhe foi favorável tanto em nível interno, ao ser promovido a "líder central" do Partido Comunista, como regional, graças ao apoio de países vizinhos, o que gerou um estímulo para enfrentar os grandes desafios de 2017.

Secretário-geral do Partido Comunista da China (PCCh), presidente das comissões que controlam o Exército e as reformas, e declarado em outubro "líder central" da legenda única, Xi já ostenta um poder teoricamente equiparável ao de governantes históricos como Mao Tsé-tung.

Embora na dinastia comunista a quantidade de cargos nem sempre seja sinônimo de poder, Xi se proveu de uma série de campanhas e leis que enfatizam sua autoridade e que também suprimiram liberdades.

O ano de 2016 começou dias depois da aprovação da primeira lei antiterrorista do país. Depois, Xi deu sinal verde a uma polêmica lei para controlar mais as ONGs e avançou com a aprovação em julho de outra medida de segurança nacional, que restringe áreas como finanças, ideologias e religiões.

A China ainda deu consentimento em novembro a uma lei de cibersegurança muito criticada pelos setores empresarial e de direitos humanos, este último especialmente afetado em um ano de detenções, julgamentos e penas contra advogados e ativistas.

Tudo isso enquanto Xi reforçava a campanha anticorrupção, após a plenária de outubro do Comitê Central do PCCh, a reunião que o elevou a "líder central", aprovar dois documentos que enfatizam que ninguém gozará de imunidade, embora os especialistas acreditem que o alvo é a oposição ao presidente.

Mas talvez os acontecimentos mais inesperados tenham chegado de fora. A eleição de Rodrigo Duterte como presidente filipino deu uma reviravolta favorável a Pequim no equilíbrio regional de poderes, depois que a polêmico líder defendeu em outubro uma aproximação com a China e um afastamento dos então aliados Estados Unidos.

A "guinada" em direção à China feita por Duterte, que estacionou uma decisão do Tribunal internacional de Haia a favor das Filipinas sobre o litígio que ambos os países mantêm por territórios do mar da China Meridional, teve em seguida seu eco na região, com países como Malásia, Brunei, Vietnã ou Taiwan em disputas similares com Pequim.

Essa postura foi imitada pouco depois pela Malásia, que se aproximou da China ao assinar um inédito acordo de defesa com Pequim em novembro, antes de um acontecimento de grande repercussão na região: a vitória de Donald Trump nas eleições dos EUA.

A decisão de Trump de retirar os EUA do TPP (Tratado Transpacífico), que não inclui a China, dá uma oportunidade a Pequim de se transformar em líder do livre-comércio na região Ásia-Pacífico.

No entanto, a consolidação da China como grande potência regional pode minguar caso Trump reforçe a presença militar dos EUA, conforme alertam alguns especialistas.

"Trump apostará em uma política militarista mais forte na Ásia-Pacífico", analisou Zhao Hai, do Instituto de Estratégia Nacional da Universidade de Tsinghua.

Este não é o único desafio de Xi. A incerteza sobre o rumo a ser tomado pelos EUA e a paralisação das reformas econômicas internas se juntam à luta pelo poder às vésperas do XIX Congresso do Partido Comunista, que será realizado em 2017, no meio do mandato (inicialmente de 10 anos), e no qual haverá uma crucial substituição nos principais órgãos do partido.

No entanto, Xi tem a capacidade de veto por causa do status de "líder central", segundo normas não escritas do Partido, e conta com a campanha anticorrupção para amedrontar os oponentes, o que contribui para colocar aliados na primeira fila e blindar ainda mais seu poder.

Na opinião de Perry Link, professor de Estudos Asiáticos da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, "o fato de Xi, ao contrário de Mao ou Deng, que não se reivindicaram como líderes centrais, ter que exigir sê-lo, mostra que outros não o veem assim".

"Além disso, revela sua própria insegurança. O termo é dirigido ao Partido, especialmente aos cargos mais altos. Está preocupado com eles", reforça Link.

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