Diretora do FMI se defende em caso de negligência e faz críticas a promotor

Paris, 12 dez (EFE).- A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, se mostrou indignada nesta segunda-feira pelas alegações que a levaram a prestar depoimento na Corte de Justiça da República (CJR) da França e fez duras críticas pela agressividade do tom da ata de acusação.

"Quero provar que sou nada responsável por negligência e que atuei pelo interesse geral", disse Lagarde na abertura do julgamento que determinará sua eventual responsabilidade penal pela gestão do contencioso entre o governo da França e o empresário Bernard Tapie em 2007 e 2008, quando era na época ministra das Finanças.

Lagarde lembrou que pediu há um mês que o FMI suspendesse sua imunidade diplomática para poder se explicar no CJR, a única instância na França para julgar membros do governo no exercícios de suas funções. E denunciou as "calúnias" publicadas sobre ela durante a última audiência, fazendo críticas ao promotor do caso.

A diretora do FMI disse ter ficado "profundamente chocada" com a "agressividade do tom" e as conclusões da ata de acusação. Especialmente, Lagarde citou a "teoria do complô imaginário" e o "menosprezo da separação de poderes".

Lagarde, que pode ser condenada a um ano de prisão e a uma multa de 15 mil euros, afirmou que "ninguém dos que trabalharam com ela", como advogada de negócios do governo da França, a reconheceria como a pessoa descrita nessa ata. Antes de responder perguntas, a diretora do FMI disse que ia provar "ponto a ponto" que não tinha sido negligente na gestão da indenização a Tapie.

A origem do julgamento está na ação aberta na CJR por 11 parlamentares do Partido Socialista em 2011, que consideraram que houve uma vontade manifesta de favorecer o empresário, que tinha uma amizade conhecida com o presidente na França na época, Nicolas Sarkozy.

Quando era ministra de Sarkozy, Lagarde decretou uma arbitragem para resolver o contencioso pela venda da Adidas em 1994 ao banco Credit Lyonnais, na época de propriedade pública. O governo da França teve que indenizar o empresário em 404 milhões de euros, com o argumento de que o Crédit Lyonnais tinha conseguido um lucro exagerado graças à Adidas. No entanto, o processo foi anulado.

A CJR negu hoje o recurso apresentado pela defesa de Lagarde pra adiar o processo enquanto a justiça não pronuncie sobre a existência de um desvio, um crime pelo qual há vários acusados.

Ainda não há data para esse outro julgamento, embora já existam vários processados, em particular o próprio Tapie e o chefe de gabinete de Lagarde no Ministério de Finanças, Stéphane Ricard.

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