Índia reaviva tensões militares com o Paquistão em 2016

Noemí Jabois.

Nova Délhi, 12 dez (EFE).- A Índia reavivou as tensões militares com o Paquistão em um 2016 difícil para o primeiro-ministro, Narendra Modi, que lidou com os piores protestos dos últimos anos na Caxemira e deu início a suas reformas econômicas, mas com um ritmo muito mais lento do que o previsto.

No começo do ano, insurgentes paquistaneses atacaram uma base militar indiana próxima da fronteira com o Paquistão, país ao qual a Índia acusa de patrocinar grupos terroristas que atuam em seu território. O saldo deste ataque foi a morte de 13 militares indianos.

Frustrou-se, desta forma, a aproximação conseguida poucas semanas antes, com o anúncio de um novo diálogo de paz e uma visita surpresa de Modi ao Paquistão, a primeira de um primeiro-ministro da Índia em 11 anos.

Seis meses depois, as sempre tensas relações entre as duas ex-colônias britânicas, ambas potências nucleares, esfriaram ainda mais após uma onda de protestos na região da Caxemira - disputada pelos dois países - que levou à a morte de um jovem separatista por parte de tropas indianas.

A explosão de violência deixou ainda cerca de 100 mortos e 12 mil feridos em confrontos entre manifestantes e forças de segurança e levou ao governo de Nova Délhi a decretar toque de recolher generalizado durante quase três meses.

Enquanto aumentavam as críticas de organizações de direitos humanos em função da repressão aos protestos na Caxemira, a região foi palco do segundo grande ataque insurgente do ano.

Novamente cometido por supostos terroristas paquistaneses, o ataque à base militar de Uri deixou em setembro 19 soldados mortos e fez o governo de Modi responder com ataques "cirúrgicos" a supostos passos de insurgentes na fronteira e uma campanha internacional de boicote diplomático.

O ataque levou também à retirada de diplomatas dos dois países, em meio a acusações de espionagem e constantes violações ao cessar-fogo estipulado em 2003 na fronteira mútua na Caxemira, onde as baixas civis e militares passaram de 50.

A economia, grande bandeira política de Modi, prometia equilibrar as más notícias procedentes do norte do país após fechar o ano fiscal 2015-2016 (de 1º de abril a 31 de março) com um crescimento de 7,6%.

O governo conseguiu levar adiante a maior reforma tributária na história da Índia independente: a unificação de impostos nos 29 estados do país.

No entanto, falta pactuar os equilíbrios entre o governo central e os estados que permitirão a implementação do novo sistema de taxas a partir de abril de 2017, uma negociação difícil para Modi em um país com uma complexa burocracia administrativa e constitucional.

A crescente entrada de investimento estrangeiro direto amenizou muito pouco estas dificuldades, pois o Banco Mundial (BM) não reconheceu nenhum progresso na facilidade dentro da Índia para se fazer negócios, colocando o país no 130º lugar entre os 190 de seu ranking mundial, apenas uma colocação melhor do que no ano passado.

Mas o grande golpe econômico veio no começo de novembro, quando Modi anunciou da noite para o dia a retirada das cédulas de rúpia de maior valor em uma tentativa de lutar contra a falsificação de dinheiro e a corrupção no país.

Enquanto o governo anunciava dia sim e dia também mudanças nos limites de câmbio e saques, além de medidas intermitentes para tentar atenuar a crise de liquidez, com consequente paralisação na atividade econômica, analistas do mercado diminuíam suas previsões de crescimento para o PIB no ano fiscal 2016-2017.

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