Proposta das Farc divide principal partido de esquerda da Colômbia

Bogotá, 12 dez (EFE).- O principal partido de esquerda na Colômbia, o Polo Democrático Alternativo (PDA), mostrou nesta segunda-feira suas divisões sobre seu apoio à primeira proposta das Farc em política legal: formar um governo de transição que garanta a aplicação do acordo de paz assinado com o governo.

A Junta Nacional do PDA se reuniu no fim de semana em Bogotá e ratificou "sua independência e autonomia", por isso rejeitou fazer parte dessa coalizão de governo, como comentou hoje em entrevisa o senador do partido Jorge Robledo, líder de uma das correntes do Polo.

"(O PDA) não fará parte de uma coalizão para um 'governo de transição' fundamentado na implementação dos acordos de paz, nem fará acordos com o (partido) Centro Democrático", fundado pelo ex-presidente Álvaro Uribe, diz o comunicado emitido pelo partido após a reunião de sua junta.

O governo de transição foi proposto pelo líder das Farc, Rodrigo Londoño, conhecido como "Timochenko", em discurso no dia 24 de novembro em Bogotá, imediatamente após assinar o novo acordo de paz com o presidente colombiano, Juan Manuel Santos.

No comunicado do Polo, também foi rejeitada a posição de sua candidata presidencial nas eleições de 2014, Clara López, que atualmente faz parte do governo como ministra do Trabalho.

Nesse sentido, o partido etabeleceu que Clara "não representa o PDA no governo" e ratificou "sua oposição" à administração de Santos.

Além disso, o PDA "apresentará candidatos próprios à presidência, vice-presidência e à Câmara e ao Senado nas eleições de 2018".

Já a ala do partido que apoia um governo de transição tem entre seus defensores o também senador Ivan Cepeda, que afirmou em sua conta no Twitter que o debate no PDA é sobre defender o processo de paz ou "subordinar essa defesa a uma candidatura excludente".

Também via Twitter, Robledo rebateu Cepeda com uma mensagem contundente: "O debate principal no Polo é que Clara López e Ivan Cepeda querem um acordo com Santos para 2018, e ontem o Polo decidiu que não".

Na entrevista que Robledo concedeu ao jornal "El Tiempo", o senador também se referiu a outra das grandes vozes da esquerda na Colômbia, o ex-prefeito de Bogotá Gustavo Petro, que saiu do PDA em 2010 e fundou o partido Progressistas.

"Petro saiu do Polo em 2010, entre outros motivos, porque fez um acordo com Santos, que o Polo não aprovou. Foi a primeira grande agressão de Santos contra o Polo", disse Robledo em referência a "um acordo feito sem consultar o Polo e que estava muito longe de nossas concepções programáticas".

Em resposta, o ex-prefeito da capital colombiana disse que deixou o PDA não por um acordo com Santos, mas porque Samuel Moreno Rojas não foi expulso do partido.

Rojas foi prefeito de Bogotá entre 2008 e 2011, cargo que teve que deixar devido a um caso de corrupção, pelo qual atualmente está preso.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos