Voto latino cresce, mas falha em impedir vitória de Trump

Ivonne Malaver.

Miami, 12 dez (EFE).- A grande expectativa gerada pelo voto dos latinos nas eleições presidenciais dos Estados Unidos de 2016 foi frustrada com a contundente vitória de Donald Trump, o candidato que reviveu os piores temores dos imigrantes.

Desde 16 de junho de 2015, quando anunciou sua candidatura e chamou os imigrantes mexicanos de "estupradores" e "criminosos", o republicano despertou entre a grande maioria dos latinos a urgência em frear suas ambições.

Grupos latinos de abrangência nacional e local embarcaram em uma campanha para responder nas urnas a uma retórica antimigratória que colocava em risco as intenções desta comunidade na luta para regularizar sua situação no país.

Os latinos se mobilizaram em grande número para tirar cidadania, se registrar para votar e, inclusive, bateram recorde na votação antecipada nos estados que a permitem.

Desde o início da campanha, muitos deles escolheram apoiar a candidata democrata à presidência, Hillary Clinton, que prometeu, em caso de vitória, empreender nos primeiros cem dias de governo uma reforma migratória a fim de ajudá-los a regularizar sua situação no país.

A vantagem abissal nas pesquisas da primeira mulher candidata à presidência por um dos partidos majoritários ajudou a alimentar a esperança e o orgulho de que o voto dos latinos seria mais decisivo do que nunca, especialmente em estados divididos, como a Flórida.

No entanto, o poder deste voto não se concretizou.

Donald Trump conquistou a presidência após insultar latinos, mulheres, muçulmanos, veteranos e minorias em geral.

Chamado de "gigante adormecido", o voto hispânico "despertou" com participação recorde, mas se tornou insuficiente diante de um eleitorado branco bastante entusiasmado pela política linha dura de Trump em relação aos imigrantes.

O inflamado discurso do magnata nova-iorquino que empolgava seus apoiadores quando prometia construir um muro entre EUA e México foi mais efetivo na hora de levar eleitores às urnas, e o medo tomou conta dos latinos - que são 55 milhões de habitantes do país.

Nem a enorme vantagem de Hillary no voto latino nacional (79% contra 18%, segundo o instituto de pesquisas Latino Decisions), foi suficiente para garantir a vitória em estados como Flórida e Pensilvânia, o que daria à democrata os cobiçados 270 votos no colégio eleitoral para assumir a presidência.

No último dia 8 de novembro, Trump conseguiu 306 delegados frente aos 232 de Hillary, que, no entanto, ganhou no voto popular, com vantagem de mais de 2,5 milhões de votos, uma histórica diferença de cerca de 2%.

Embora ainda não haja dados oficiais por raças ou etnias, as pesquisas de boca de urna evidenciaram que a votação da ex-secretária de Estado entre latinos foi seis pontos menor do que a de Obama em 2012, quando o atual presidente venceu o republicano Mitt Romney.

No entanto, o Latino Decisions questionou amplamente os métodos de pesquisa da maioria dos veículos de imprensa americanos, ao considerá-los "profunda e comprovadamente incorretos" e porque "sistematicamente descaracterizaram todos os eleitores de cor".

O instituto de pesquisas apontou que a vantagem de 61 pontos (79% a 18%) de Hillary sobre Trump no voto latino é "a maior registrada", superando inclusive os 52 pontos de Obama sobre Romney em 2012 (75% a 23%), baseado em medições "reais", que incluíram postos e distritos representativos do voto hispânico do país.

"Em uma eleição marcada por muito ódio, os eleitores latinos responderam com arrasador amor por esta democracia em números recordes", disse Ben Monterroso, presidente do grupo Mi Familia Vota.

O Latino Decisions calculou entre 13,1 milhões e 14,7 milhões o número de eleitores latinos de 2016, um aumento "significativo" frente aos 11,2 milhões de hispânicos que votaram em 2012.

Os eleitores de 2016 foram motivados principalmente pelo "efeito Trump baseado no medo".

Além de insistir na construção do muro na fronteira com o México, Trump prometeu deportações em massa e ameaçou acabar "imediatamente" com o programa DACA, uma medida de Obama que beneficiou cerca de 750 mil estudantes imigrantes ilegais desde 2012.

Monterroso, no entanto, advertiu que os latinos não vão a "lugar nenhum", e o Mi Familia Vota, assim como outras organização cívicas latinas e pró-imigrantes, já começou a mobilização de eleitores hispânicos visando as eleições legislativas de 2018.

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