Abusos sexuais abalam mundo da política, da polícia e do futebol britânicos

Paula Baena Velasco.

Londres, 13 dez (EFE).- As revelações no parlamento da deputada escocesa Michelle Thomson de que foi estuprada quando tinha 14 anos e as denúncias contra policiais por supostos abusos sexuais se somaram aos escândalos de pedofilia que sacodem o mundo do futebol no Reino Unido.

Desde que, em novembro, o ex-jogador de futebol Andy Woodward relatou os abusos que sofreu quando criança, cometidos por Barry Bennell, antigo técnico e olheiro inglês, as denúncias por crimes sexuais têm sido uma constante e têm comovido todo o país.

A última a admitir publicamente que sofreu abusos quando era apenas uma adolescente foi Michelle, que na semana passada em um debate na Câmara dos Comuns - por ocasião do Dia Internacional da Eliminação da Violência de Gênero - narrou sua trágica experiência.

Perante a emoção de seus colegas na Câmara Baixa, que não puderam conter as lágrimas, a deputada revelou como na idade que foi abusada, por uma pessoa de seu entorno, "nem sequer sabia o que era isso".

"Não era uma coisa sobre a qual se falava, minha mãe nunca me explicou, nunca ouvi outras meninas ou mulheres falar disso", acrescentou a parlamentar, de 51 anos, admitindo que durante muitos anos não era capaz de lembrar o episódio sem chorar e que somente aos 45 se atreveu a pedir ajuda.

"Há um tabu na hora de compartilhar este tipo de informação" afirmou, com o que concordou o coordenador do escritório nacional da Escócia para estupros, Sandy Brinley, após saber do testemunho de Michelle.

Brinley aplaudiu o gesto da deputada porque "alguém falando publicamente sobre seu estupro envia uma forte mensagem a outras vítimas que não devem ter vergonha e que está tudo bem em falar disso e pedir ajuda".

Por sua vez, a polícia escocesa anunciou que vai entrar em contato com Michelle e averiguará seu caso. "Escutaremos qualquer revelação, apesar do tempo que passou", declarou um porta-voz da corporação.

É justamente a polícia - mas não a escocesa, e sim a da Inglaterra e do País de Gales - outro grupo que entrou recentemente para o rol dos escândalos de abusos, depois da publicação de um relatório que revela a participação de agentes em casos deste tipo de crime.

Essa investigação, a cargo da Inspetoria de Polícia, concluiu que 306 policiais aproveitaram sua posição para explorar pessoas sexualmente, entre elas vítimas de crimes.

Os números compilados pelo citado órgão, supervisor das forças da ordem, correspondem aos dois últimos anos e até o final de março passado, segundo o relatório encomendado na época pela primeira-ministra britânica, Theresa May, quando era titular do Interior.

Após saber da informação, o Conselho Nacional de Chefes de Polícia (NPCC, na sigla em inglês), que luta contra a corrupção nas forças de ordem, considerou que esta situação não pode nunca ser justificada.

O inspetor Mike Cunningham, a cargo da investigação, disse que as forças da ordem devem ser mais ativas para combater a corrupção entre agentes que aproveitam de sua posição.

A ministra do Interior, Amber Rudd, afirmou que este relatório é escandaloso e "prejudica a Justiça e a confiança da população" nas forças da ordem.

Sobre os casos no futebol, o NPCC informou na sexta-feira que já foram identificados 83 suspeitos destes abusos.

De acordo com o NPCC, o número de clubes afetados chega a 98, a maioria das pessoas identificadas como possíveis vítimas são homens e suas idades, no momento no qual foram cometidos os crimes, vão dos sete aos 20 anos.

"Pedimos a todo mundo que tenha sido vítima de um abuso sexual quando pequeno que o denuncie", ressaltou o encarregado de proteção de menores do NPCC, Simon Bailey.

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