Ban Ki-moon despede-se da ONU e é sucedido por ex-premiê de Portugal

Mario Villar.

Nações Unidas, 13 dez (EFE).- O último ano de Ban Ki-moon como secretário-geral da ONU foi marcado por dificuldades, com a organização impotente para resolver vários conflitos e com o próprio sul-coreano envolvido em muitas disputas diplomáticas.

Ban se despedirá da ONU em 31 de dezembro sem ver o fim da guerra na Síria, confronto que obscureceu toda a segunda metade de seu mandato e onde as iniciativas defendidas por ele para promover a paz não tiveram sucesso.

A mediação das Nações Unidas também não foi capaz de resolver a guerra no Iêmen. Vários países africanos, por sua vez, entre eles Líbia e Sudão do Sul, continuam sendo palco de sangrentos conflitos. A gestão da ONU por lá foi igualmente questionada.

Após uma década à frente da ONU, Ban buscou em seu último ano avanços em conflitos estagnados, com o do Oriente Médio e o do Saara Ocidental. Os resultados, no entanto, foram pequenos. E as apostas custaram duros enfrentamentos públicos com Israel e Marrocos.

Primeiro, o governo de Israel atacou firmemente Ban, acusando-o, inclusive, de "justificar o terrorismo", em resposta às críticas do secretário-geral à política de assentamentos e à falta de avanços rumo à paz com a Palestina.

Depois, foi o Marrocos que reagiu com inusitada rigidez às palavras de Ban sobre a situação dos saarauís, expulsando dezenas de funcionários da ONU do país e convocando uma grande manifestação contra as ações defendidas pelo diplomata sul-coreano.

Nos dois casos, mas especialmente no segundo, Ban recorreu ao Conselho de Segurança, que preferiu abandoná-lo.

Além disso, o secretário-geral se viu envolvido em outras famosas disputas nos últimos meses, incluindo um confronto explícito com a Arábia Saudita após ter denunciado as consequências dos bombardeios da coalizão árabe, liderada por Riad, no Iêmen.

Apesar dos tropeços e visivelmente libertado pelo iminente final de mandato, Ban se despediu em setembro dos líderes mundiais com um dos discursos mais firmes já feitos na ONU.

O diplomata sul-coreano não teve nenhuma cautela ao criticar a atitude de muitos governantes, acusando alguns deles, inclusive, de ter "sangue nas mãos". Além disso, parte dos líderes foi citada nominalmente.

O secretário-geral também se destacou pelo uso, ao longo deste ano, de uma linguagem muito contundente contra os líderes que alimentam o ódio contra refugiados e imigrantes, além dos que usam da divisão e do medo para ganhar votos.

Além disso, Ban aproveitou seus últimos dias no cargo para tentar resolver alguns assuntos que tinham manchado sua gestão, especialmente a epidemia de cólera no Haiti, que, segundo os especialistas, chegou ao país pelos "boinas azuis" da ONU.

O diplomata sul-coreano pediu perdão aos haitianos pelo papel da ONU, assumindo uma responsabilidade da qual tinha se esquivado durante vários anos, e anunciou um novo programa de apoio ao país.

O posto de secretário-geral será ocupado a partir de 1º de janeiro pelo ex-primeiro-ministro de Portugal António Guterres, que venceu com ampla vantagem a eleição realizada na ONU. Mais de dez pessoas se candidataram ao cargo, no processo mais transparente já realizado pelo órgão e que durou vários meses.

Ex-Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Guterres foi nomeado oficialmente em 13 de outubro, com o apoio unânime dos 193 países da ONU. O ex-premiê português prometeu trabalhar com independência, mas também com espírito de cooperação com governos. Além disso, antecipou suas prioridades: a resolução de conflitos, o desenvolvimento, a mudança climática e a igualdade de gênero.

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