Chanceleres do Mercosul se reúnem na Argentina em meio à tensão com Venezuela

Buenos Aires, 13 dez (EFE).- Os chanceleres do Mercosul se reunirão nesta quarta-feira em Buenos Aires para a 11ª Reunião Extraordinária do Conselho do bloco, em meio a fortes tensões com a Venezuela, que apesar de estar suspensa, planeja enviar sua ministra das Relações Exteriores ao encontro.

Para a reunião estão convidados o representantes de Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina, que definirão as linhas de ação do Mercosul para o primeiro semestre do ano que vem.

Esta será a primeira cúpula ministerial depois que, no dia 2 de dezembro, a Venezuela foi comunicada de seu afastamento do bloco por descumprir o Protocolo de Adesão, apesar de estar exercendo a presidência rotativa naquele momento.

Dadas as tensões, neste ano não haverá a tradicional cúpula de presidentes, que normalmente faz parte do programa de trabalho do Mercosul para dezembro.

A Venezuela, por sua vez, garante que esse afastamento é ilegal, já que, segundo o governo liderado por Nicolás Maduro, o país incorporou 1.479 normas do Mercosul à sua legislação interna, o que equivale a 95% das leis que os Estados devem cumprir para aderirem ao bloco.

Por isso, a expectativa é que Delcy Rodríguez, ministra das Relações Exteriores da Venezuela, viaje a Buenos Aires e tente comparecer à reunião, apesar das negativas de outros países.

"Ela (Rodríguez) não está convidada. O governo venezuelano não está convidado", afirmou taxativamente nesta terça-feira o chanceler paraguaio, Eladio Loizaga, em entrevista em Assunção.

Loizaga garantiu, além disso, que seu país não aceitará a entrada da representante venezuelana.

No entanto, outros países, como o Uruguai, não mostraram uma posição tão firme sobre a exclusão da Venezuela.

Paralelamente, em Buenos Aires, o coordenador nacional da Venezuela no Mercosul, Héctor Constant, chamou de "golpe à institucionalidade" a impossibilidade de o país participar da reunião e advertiu que qualquer decisão tomada no encontro de ministros será "nula".

Constant se pronunciou hoje na porta da chancelaria argentina, depois de ter sido impedido de entrar em uma reunião dos coordenadores nacionais do Grupo do Mercado Comum (GMC), algo que já tinha ocorrido ontem, quando também não pôde participar de um encontro da equipe técnica do bloco.

Uma possibilidade a ser considerada é a da chanceler venezuelana ser recebida somente por sua homóloga argentina, Susana Malcorra.

A Venezuela exerceu neste semestre a presidência temporária do bloco, que será assumida pela Argentina a partir de 1º de janeiro, mesmo sem que haja a cúpula de presidentes para a transferência.

A presidência rotativa e a situação da Venezuela ocuparão boa parte da agenda dos chanceleres, segundo fontes do governo argentino, embora o bloco também tenha pendentes outros assuntos - como o andamento das negociações para fechar um tratado de livre-comércio com a União Europeia -, cuja discussão dependerá de como transcorrerá a reunião.

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