Colégio Eleitoral dos EUA aumenta pressão para saber sobre ingerência russa

Washington, 13 dez (EFE).- Um grupo de 40 membros do Colégio Eleitoral dos Estados Unidos pediu que a agência de inteligência (CIA) explique publicamente o relatório no qual concluiu que os ataques cibernéticos da Rússia pretendiam ajudar Donald Trump a vencer as eleições presidenciais do último dia 8 de novembro.

Nesta terça-feira 30 delegados democratas assinaram a carta aberta ao diretor nacional de inteligência, James Clapper, impulsionada por outros 10 delegados e que apoia a equipe da ex-candidata democrata, Hillary Clinton.

Os representantes do Colégio Eleitoral querem informação sobre o documento da CIA revelado na semana passada pelo jornal "The Washington Post", no qual essa e outras agências de inteligência americanas tinham concluído que os ciberataques da Rússia não buscavam simplesmente desestabilizar o processo eleitoral dos EUA, mas também ajudar o candidato republicano.

Os delegados pedem que esta informação chegue "imediatamente" para haver tempo de avaliá-la antes que votem no dia 19 de dezembro.

Trump venceu as eleições de 8 de novembro ao obter 306 delegados do Colégio Eleitoral frente aos 232 da democrata Hillary Clinton, mas tecnicamente seu triunfo não é oficial até que esses delegados se reúnam em suas capitais estaduais para votar em 19 de dezembro.

Nos Estados Unidos, o voto é indireto, ou seja, quando um candidato ganha o voto popular em um estado obtém o compromisso de voto dos representantes do Colégio Eleitoral correspondentes, que no total são 538 e são distribuídos de acordo com sua representação no Congresso.

Dos 40 eleitores que assinaram a carta para pedir explicações à CIA sobre o ciberataque russo, apenas um é republicano, Christopher Suprun, o único de seu partido que já anunciou que não votará no magnata por considerar que "não está qualificado para o cargo".

A iniciativa da carta está dominada pela Califórnia, onde é liderada pelo esforço de Christine Pelosi, filha da líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi.

Em sua carta aberta, os delegados argumentam que "precisam saber da comunidade de inteligência se há investigações em curso sobre os laços entre Donald Trump, sua campanha ou associados, e a interferência do governo russo nas eleições, o alcance dessas investigações, até onde chegaram e quem estava envolvido".

"Exigimos, além disso, uma sessão informativa sobre todos as descobertas da investigação, já que estes assuntos afetam diretamente os fatores centrais em nossas deliberações sobre se o senhor Trump está em condições de servir como presidente dos Estados Unidos", acrescentam.

A carta é assinada por delegados de 12 estados e do Distrito de Columbia, onde está a capital, Washington.

Trump está recebendo uma oposição poucas vezes vista do Colégio Eleitoral, que tradicionalmente se limita a cumprir o mandato dado pelos eleitores estaduais com seu voto.

O movimento Hamilton Electors, ao qual pertencem oito delegados democratas e um republicano (Suprun), tenta convencer pelo menos 37 conservadores a não votar no magnata em 19 de dezembro.

Não há uma lei federal que obrigue os delegados a votar respeitando o resultado em seu estado e as diretrizes estaduais neste sentido variam, mas o certo é que em 99% das vezes os delegados cumpriram o mandato do voto popular em seu estado, segundo os dados dos Arquivos Nacionais dos EUA.

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