Em 2016, papa Francisco exemplificou misericórdia com gestos e viagens

Cristina Cabrejas.

Cidade do Vaticano, 13 dez (EFE).- A Igreja Católica celebrou em 2016 o quinto Ano Santo extraordinário, o primeiro convocado pelo papa Francisco, que decidiu dedicá-lo à Misericórdia e mostrar o valor das obras de caridade, como foi sua visita aos refugiados em Lesbos e autorização que deu aos padres para absolver mulheres do pecado do aborto.

O Jubileu convocado pelo papa, que começou em 8 de dezembro de 2015 e terminou em 20 de novembro deste ano, teve, entre outros atos de destaque, a chegada em fevereiro a Roma dos restos mortais do papa Pio e de São Leopoldo Mandic, dois santos capuchinhos muito venerados na Itália, e a canonização, em setembro, de Madre Teresa de Calcutá.

No Vaticano, o pontífice presidiu celebrações dedicadas aos imigrantes, às famílias, ao próprio clero e a cúria, aos doentes, aos jovens e aos presos. Também visitou, uma vez por mês e sem aviso, instalações para idosos, deficientes mentais ou em estado vegetativo, ex-dependente químicos, refugiados, crianças enfermas e padres "aposentados".

De acordo com o coordenador do Jubileu, Rino Fisichella, mais de 20 milhões de fiéis participaram deste ano da Misericórdia.

Francisco começou o ano com uma viagem ao México, que aconteceu entre os dias 12 e 18 de fevereiro, onde lembrou o drama da emergência migratória com uma missa em Ciudad Juárez, no extremo norte do país e na fronteira com os Estados Unidos.

Quando voltava dessa viagem, o papa fez uma declaração sobre Donald Trump que repercutiu enormemente - a de que uma pessoa que "pensa em construir muros não é cristão". O problema da imigração e o drama destas pessoas sempre estiveram nos apelos de Francisco, mas também em seus atos.

Em 16 de abril, o papa viajou à Ilha de Lesbos, na Grécia, símbolo do drama da imigração e porta de entrada para a Europa para milhares de refugiados, e não se limitou a visitá-los nos amontoados campos da pequena ilha. Em um gesto inédito, levou três famílias sírias, com 12 pessoas ao todo, para o Vaticano.

Francisco também se ajoelhou de maneira simbólica diante de 12 imigrantes para lavar seus pés na Quinta-Feira Santa, lembrando Jesus de Nazaré na Última Ceia com os apóstolos.

O ano foi intenso ainda no diálogo ecumênico com o histórico encontro em Cuba com o patriarca da Igreja ortodoxa russa Kirill e as viagens a Armênia, Geórgia e Azerbaijão, além de sua participação na Suécia nos atos da Federação Luterana Mundial pelos 500 anos da Reforma Protestante, que será comemorado no ano que vem.

Em outubro, Francisco assinou a Congregação para a Doutrina da Fé, o ex-Santo Ofício, dando novas orientações a práticas como a do sepultamento e a da cremação, proibindo os católicos de espalhar as cinzas, dividi-las entre a família ou guardá-las em casa.

Francisco não parou por aí. Durante o ano, ele publicou uma nova exortação apostólica "Amoris Laetitia" na qual defende o acompanhamento sem rigidez dos divorciados. O texto causou polêmica entre os setores mais conservadores da Igreja e quatro cardeais chegaram a escrever ao papa questionando alguns pontos da exortação.

Um setor igualmente conservador que deverá reagir à última decisão de Francisco no final do Ano Santo da Misericórdia: permitir que padres possam absolver do pecado do aborto, o que até agora só podia ser autorizado por um bispo ou pelo próprio pontífice.

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