Obama alerta Trump sobre informações de inteligência para não "voar às cegas"

Washington, 13 dez (EFE).- O presidente dos EUA, Barack Obama, alertou a Donald Trump, que o sucederá na Casa Branca a partir de 20 de janeiro, sobre a importância de receber relatórios regulares dos serviços de inteligência para não "voar às cegas", depois que o magnata disse que não necessita porque é "inteligente".

O mundo atual é "muito complicado" e "não importa quão pronto você esteja, tem que ter a melhor informação possível para tomar as melhores decisões possíveis", advertiu Obama durante uma entrevista ao programa satírico "The Daily Show" divulgada na segunda-feira pela noite.

Se um líder não conta com a "perspectiva detalhada" dos especialistas de inteligência, ele está "voando às cegas", insistiu Obama, ao remarcar que esses profissionais não são perfeitos, mas sim "patriotas" que "trabalham duro".

Em uma entrevista à emissora "Fox" no domingo, Trump garantiu que ele não necessita dos relatórios praticamente diários de informação de inteligência recebidos pelos presidentes porque se considera "uma pessoa inteligente".

"Sou uma pessoa inteligente. Não necessito que me digam a mesma coisa com as mesmas palavras a cada dia durante os próximos oito anos", argumentou Trump.

Por outro lado, Obama também se referiu na entrevista ao "The Daily Show" ao recente relatório da CIA que indica que essa e outras agências de inteligência concluíram que a Rússia realizou ciberataques contra o processo eleitoral nos EUA não só para desestabilizar, mas para ajudar Trump a ganhar.

Segundo Obama, essa conclusão não deveria ser "uma grande surpresa", porque foi algo que a comunidade de inteligência informou "antes" da realização das eleições de 8 de novembro.

A julgamento do presidente, é necessário refletir sobre o "estado" da democracia americana quando as filtragens de e-mails do Comitê Nacional Democrata (DNC) e da campanha da rival de Trump, Hillary Clinton, "terminaram sendo uma obsessão" e, no entanto, não foi pelo fato dos russos estarem por trás.

A Rússia negou em várias ocasiões seu envolvimento nesses ciberataques e Trump se manteve do lado de Moscou apesar de, em outubro passado, as agências de inteligência americanas terem concluído uma investigação que relacionava com o pirateio a vários funcionários russos.

Além disso, Trump tachou de "ridícula" a conclusão da CIA de que Rússia o ajudou a ganhar as eleições com esses ciberataques.

Enquanto isso, a Casa Branca disse que apoia que o Congresso realize uma investigação, como estão solicitando senadores de ambos partidos, sobre esses ciberataques.

O próprio Obama ordenou, na semana passada, que as agências de inteligência realizem uma revisão exaustiva dos ataques cibernéticos contra o processo eleitoral precisamente para obter evidências que possam ser apresentadas ao Congresso, previsivelmente antes que ele deixe a Casa Branca em 20 de janeiro.

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