Peru elege presidente atípico para evitar vitória do "fujimorismo" político

Álvaro Mellizo.

Lima, 13 dez EFE).- O Peru teve em 2016 uma das eleições presidenciais mais equilibradas de sua história, que levaram ao poder Pedro Pablo Kuczynski, um político atípico e veterano cujo sucesso se deve a uma rara aliança entre a esquerda e a direita para evitar o populismo de Keiko Fujimori.

Apenas 42 mil votos separaram Kuczynski, de 78 anos, de Keiko, de 41, um resultado inesperado para a herdeira do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000), em prisão e condenado a 25 anos de prisão por violações aos direitos humanos, que dava sua vitória como um fato e demorou a digerir a derrota.

Keiko chegou ao segundo turno, disputado em 5 de junho, com a segurança de que venceria, similar ao que conseguiu seu partido, o Força Popular, na primeira rodada das eleições gerais do dia 10 de abril, ganhando 73 das 130 cadeiras no Congresso.

A esquerda da Frente Ampla obteve então 20 deputados, seu melhor resultado em décadas, enquanto o liberal-direitista partido Peruanos por el Kambio, de Kuczynski, ficou com somente 18 cadeiras.

A possibilidade clara de que Keiko ganhasse no segundo turno mobilizou o eleitorado da esquerda e da direita liberal e tradicional para evitar que ela chegasse ao poder e que um de seus primeiros passos na presidência, como tinha prometido em várias ocasiões, fosse dar indulto a seu pai.

O apoio explícito que a líder da Frente Ampla, Verónika Mendoza, deu a Kuczynski foi visto por analistas, como Mario Vargas Llosa, como o "fato decisivo" que permitiu a vitória deste ex-primeiro-ministro e ministro da Economia com Alejandro Toledo e de declaradas tendências neoliberais.

Kuczynski - cujos reiterados comentários e atos fora de roteiro, como sua posição favorável à legalização da maconha ou seu desembaraço na hora de dançar em público lhe deram uma certa popularidade - não pôde evitar, no entanto, ter de fazer esforços enormes na hora de enviar pautas ao Parlamento.

O presidente conseguiu formar um governo liderado pelo também ex-ministro da Economia Fernando Zavala, embora sua falta de apoio na Câmara tenha feito vários de seus ministros desfilar pelo Congresso.

Sua popularidade também ficou abalada com o surgimento dos primeiros casos de corrupção em seu entorno, como o liderado pelo assessor em temas de Saúde Carlos Moreno, que foi captado em uma gravação falando dos "negociazos" que seus parceiros poderiam fazer sob o novo governo.

Apesar do golpe que os fujimoristas levaram e do silêncio no qual Keiko afundou após as eleições, estes começaram pouco a pouco a dar também gestos que seu poder parlamentar e popular é muito forte e que não terão nenhum empecilho em usá-los.

Assim, o Congresso dominado pelos fujimoristas aprovou em outubro a entrada no diretório do Banco Central do Peru de seus três candidatos, entre outros o candidato a vice-presidente de Keiko e secretário-geral da Força Popular, José Chlimper.

Este último é investigado por ter divulgado gravações adulteradas para desmentir as investigações da DEA (órgão dos Estados Unidos para o combate às drogas) de dirigentes de seu partido por supostos vínculos com o narcotráfico.

Na frente internacional, Kuczynski teve um apoio muito bom como líder moderado e aberto ao livre mercado, mostrando-se também muito crítico em relação a governos como o de Nicolás Maduro na Venezuela e próximo dos de Colômbia, Chile e Brasil.

Além disso, a realização da cúpula do Fórum de Cooperação Ásia Pacífico (Apec) nos dias 19 e 20 de novembro em Lima deram ao líder um maior respaldo e projeção internacional, ao receber o presidente Barack Obama, o chinês Xi Jinping e o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe.

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