Reeleição de Ortega e protestos contra canal marcam ano de 2016 na Nicarágua

Luis Felipe Palacios.

Manágua, 13 dez (EFE).- A terceira reeleição presidencial consecutiva de Daniel Ortega marcou o ano político de 2016 na Nicarágua, já que o governante manteve seus planos de construir um monumental canal interoceânico financiado por uma empresa chinesa, apesar da resistência de setores sociais e opositores.

Líder sandinista de 71 anos que retornou ao poder em 10 de janeiro de 2007, Ortega foi reeleito no pleito de 6 de novembro e será o primeiro chefe de Estado da Nicarágua com quatro mandatos, tendo agora sua mulher, a influente primeira-dama Rosaria Murillo, como vice-presidente.

A nova vitória foi questionada pela ausência do principal bloco opositor no pleito, de observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União Europeia (UE), assim como pela baixa participação de eleitores.

Vários setores consideram que o líder não só quer instaurar um regime de partido único no país, mas uma nova dinastia, 37 anos depois da derrubada de outra, a da família Somoza (1937-1979), contra a qual Ortega lutou.

O governante voltará a contar, a partir de 10 de janeiro e por outros cinco anos, com o respaldo de uma maioria absoluta no Congresso, e uma aliança com o setor privado e sindicatos que lhe permitiu garantir o crescimento econômico de seu país.

A Nicarágua, segundo país mais pobre da América Latina, só à frente do Haiti, começará no entanto em 2017 com uma queda gradual da cooperação venezuelana, a milionária ajuda que o governo de Ortega recebe por fora do orçamento nacional.

Além disso, com o desafio de contornar as sanções financeiras promovidas pelos Estados Unidos, que buscam impedir desembolsos à Nicarágua, se não der espaços à democracia.

O projeto de lei, aprovado por unanimidade em setembro pela Câmara dos Representantes, cujos promotores foram reeleitos, tem como fim fazer com que o governo americano se oponha à concessão de empréstimos ao governo de Manágua, de US$ 250 milhões a US$ 300 milhões anuais, com exceção aos destinados a satisfazer as necessidades básicas humanas.

Essa decisão provocou uma aproximação no final do ano do governo de Ortega com a OEA para estabelecer um mecanismo de negociação que permita elevar a credibilidade dos processos eleitorais a partir do próximo quinquênio, facilitando inclusive a sucessão presidencial em 2021, e assim evitar essa sanção, avaliou o analista Arturo Cruz.

O ano de 2016 também esteve marcado pelos protestos liderados por camponeses do sul nicaraguense que se opõem à construção de um canal interoceânico, um projeto de US$ 50 bilhões e que geraria 50 mil empregos diretos, segundo o governo.

De acordo com o projeto mais recente, que consiste em uma via úmida de 276 quilômetros de extensão, de 230 a 280 metros de largura, inclui dois portos, um aeroporto, dois lagos artificiais, duas eclusas de embarque, uma área de livre-comércio e complexos turísticos.

O canal estaria em operação, segundo os cálculos da companhia chinesa HKND Group, cinco anos depois do início das obras mais importantes, ou seja a escavação do canal e a construção da eclusa de embarque oeste, cujo começo está previsto para este mês.

Há uma crescente onda de protestos contra a obra por parte de camponeses que moram na rota do canal, que não estão dispostos a ceder suas terras; organismos de defesa da natureza e políticos opositores ao governo.

O movimento de camponeses realizou mais de 80 manifestações contra a construção do canal e, de acordo com uma de suas dirigentes, Francisca Ramírez, continuarão com os protestos "até as últimas consequências".

Segundo a concessionária chinesa, a rota selecionada para o canal assegura que não mais de 6.800 famílias (27.000 pessoas) sejam realocadas.

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