União Europeia se opõe a congelar negociações de adesão com a Turquia

Bruxelas, 13 dez (EFE).- Os países da União Europeia (UE) se mostraram contrários nesta terça-feira a congelar temporariamente as negociações de adesão com a Turquia, como pede a Áustria, mas se negaram a abrir novos capítulos desse processo, perante a involução democrática nesse país.

O assunto foi abordado em um Conselho de Assuntos Gerais, onde os titulares das Relações Exteriores europeus aprovaram uma declaração da presidência temporária eslovaca do Conselho da União, que não foi apoiada pela Áustria.

O ministro das Relações Exteriores da Eslováquia, Miroslav Lajcak, disse em entrevista coletiva ao término da reunião que gostaria de ter avançado no texto em relação com a ampliação da UE, mas que "um país" (em referência à Áustria) foi "incapaz de apoiar o compromisso que os outros 27 encontraram aceitável".

A Eslováquia queria que os países aprovassem conclusões sobre as negociações de adesão com os países candidatos (Montenegro, Sérvia, Macedônia, Albânia e Turquia) e os potenciais candidatos (Bósnia-Herzegovina e Kosovo).

A inclusão da Turquia nesse bloco tornou impossível que se conseguisse o apoio austríaco às conclusões.

Por sua parte, o ministro austríaco, Sebastian Kurz, declarou ao término da reunião que a posição da Áustria é a mesma que o parlamento europeu defendeu recentemente em resposta à repressão na Turquia após o fracassado golpe de Estado do último mês de julho.

"Não é questão de fechar as portas ou de pôr fim ao diálogo com a Turquia", destacou o ministro, que assegurou que a Áustria deseja ter um bom diálogo e cooperação com Ancara.

No entanto, opinou que "é preciso escolher entre uma boa cooperação e as negociações de adesão. Acredito que teremos que tomar esta decisão na UE".

No último dia 24 de novembro, o parlamento europeu reagiu ao expurgo das autoridades turcas após a tentativa de golpe de Estado e pediu a suspensão temporária das negociações de adesão com Ancara perante "as desproporcionais medidas repressivas" impulsionadas por suas autoridades.

Dias mais tarde, o parlamento holandês votou a favor de "adiar durante seis meses" as conversas para o ingresso da Turquia na UE.

Na reunião de hoje, os ministros das Relações Exteriores de países como a Bélgica e França reconheceram abertamente a impossibilidade de dar mais passos rumo à adesão dada a situação na Turquia.

Com a decisão de hoje, a primeira da UE nesse sentido, os 28 países do bloco se posicionam contra as medidas repressivas impulsionadas pela Turquia, principalmente contra veículos de comunicação e opositores.

A Turquia é candidato a ingressar na UE desde 2005, mas as negociações estão estagnadas e a Comissão Europeia advertiu que, se Ancara reintroduzir a pena de morte, dará por finalizado o processo. EFE

mb/rsd

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