"Azarão", Trump surpreende e vence eleições nos EUA

Pedro Alonso.

Washington, 14 dez (EFE).- O polêmico empresário Donald Trump pulverizou todas as previsões sobre a campanha à presidência dos Estados Unidos em 2016, ao ganhar primeiro a disputa pela candidatura do Partido Republicano e depois vencer o pleito, tornando-se o sucessor de Barack Obama no cargo.

A assombrosa eleição de Trump - novato na política, dono de um império imobiliário, ex-estrela do programa de "The Apprentice" ("O Aprendiz") - não tem comparação na história do país.

O triunfo do bilionário nova-iorquino nas eleições de 8 de novembro, desbancando a democrata Hillary Clinton, teve imensa repercussão não só nos EUA como em todo o mundo.

A magnitude da surpresa ficou estampada de forma especial na capa do jornal britânico "Daily Mirror", que publicou uma imagem da Estátua da Liberdade, com nuvens ameaçadoras ao fundo, cobrindo o rosto com as mãos em sinal de dramática incredulidade, acompanhada pela manchete: "O que você fez?".

Nem seus intermináveis escândalos, nem a oposição de seu próprio partido, nem o menosprezo da imprensa e o desatino das pesquisas impediram a meteórica ascensão de um candidato pelo qual ninguém apostava um centavo quando se candidatou à presidência em 16 de junho de 2015.

Contra tudo e contra todos, Trump não ligou para os vários opositores e prometeu "ganhar, ganhar, ganhar" para "fazer os EUA grande de novo", seu famoso lema de campanha.

O empresário não hesitou em depositar tudo em uma carta: dar "voz" a milhões de americanos que, há muito tempo, confessavam nas pesquisas seu desprezo em relação à classe política tradicional, que era vista como fechada em sua bolha de Washington, longe dos cidadãos.

Trump mobilizou legiões de seguidores (em sua maioria eleitores brancos de classe média afetados pela crise econômica) em seus grandes comícios e estabeleceu com eles uma relação direta com o uso compulsivo - inclusive de madrugada - da rede social Twitter.

Fiel a essa estratégia, o empresário brigou pela candidatura presidencial contra nada menos que 16 concorrentes, entre eles alguns renomados, como Jeb Bush e Marco Rubio.

No início de ano, Trump chegou ao ciclo de eleições primárias republicanas como favorito nas pesquisas e acabou se impondo sobre seus rivais nos meses seguintes, para surpresa - mais uma vez - da classe política, dos analistas políticos e da imprensa, que não lhe davam crédito.

O agora presidente eleito ganhou a indicação presidencial com um número recorde de mais de 14 milhões de votos, apesar de uma campanha pautada por insultos a mulheres, latinos, muçulmanos, negros e até portadores de deficiência.

Mas nada parava o explosivo candidato, coroado como candidato na Convenção Nacional Republicana de julho, em Cleveland, onde pintou um panorama sombrio dos EUA e se apresentou como salvador ao afirmar. "Só eu posso consertar o país".

A partir daí, Trump se enredou com Hillary Clinton em uma das campanhas presidenciais mais desagradáveis que os EUA viveram, como ficou evidenciado em seus três debates transmitidos pela televisão.

Com as pesquisas mostrando resultados desfavoráveis, o bilionário fez de sua campanha uma montanha-russa de polêmicas, como a famosa divulgação de um vídeo de 2005 no qual aparece fazendo comentários sexuais sobre mulheres com uma linguagem ofensiva.

Hillary, que se via cada vez mais perto de se tornar a primeira mulher a chegar à presidência dos EUA, esfregava as mãos até que o FBI, a apenas 11 dias do pleito, anunciou a reabertura da investigação do escândalo pelo uso indevido de seus e-mails quando era secretária de Estado (2009-2013).

O inesperado anúncio do FBI, que dois dias antes das eleições surpreendeu outra vez ao informar que arquivaria definitivamente o caso, deu oxigênio a Trump, que chegou à reta final da campanha pisando nos calcanhares de Hillary nas pesquisas.

No dia do pleito, à medida em que avançava a apuração de votos, o mapa eleitoral dos EUA começou, de repente, a ficar vermelho (cor do Partido Republicano) em estados-chave tradicionalmente azuis (cor do Partido Democrata).

Passada meia-noite e com o país (e o mundo) em expectativa, explodiu a notícia: Trump, um personagem de fora da política tradicional e em quem ninguém apostava há um ano e meio, era eleito o 45° presidente dos Estados Unidos.

Desde então, o magnata começou a configurar seu gabinete com generais, bilionários e nomes polêmicos (como seu estrategista-chefe, o ultradireitista Stephen Bannon, acusado de racismo e misoginia), antes da cerimônia de posse, marcada para 20 de janeiro.

Embora o governo do magnata esteja tomando forma, ninguém parece capaz de prever qual tipo de líder ele será, devido a sua personalidade volátil e imprevisível.

"Nunca houve um presidente na história moderna (...) que seja tão difícil de prever", afirmou o analista Peter Wehner, que trabalhou em três governos republicanos (Ronald Reagan, George H. W. Bush e George W. Bush).

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