"Guarda Presidencial" é a nova milícia no caos bélico da Líbia

Túnis, 14 dez (EFE).- O enviado especial da ONU para a Líbia, Martin Kobler, e um amplo número de embaixadores deram na noite de terça-feira as boas-vindas à chamada "Guarda Presidencial", uma nova força que se soma às dezenas de milícias armadas em conflito que dividem o país norte-africano.

A força, criada pelo Conselho Presidencial designado pela ONU há um ano e fiel ao governo de unidade oriundo desse conselho, foi apresentada em um hotel em Túnis, a capital da Tunísia, pelo vice-presidente, Ahmed Maiteeg.

Segundo o político líbio, o objetivo da "Guarda Presidencial" é se transformar em um núcleo que consiga atrair as milícias em conflito e criar um exército que possa estabilizar o país, imerso no caos e na guerra civil desde que a Otan contribuiu para a vitória rebelde sobre a ditadura de Muammar Kadafi em 2011.

Apesar do apoio internacional, a criação dessa nova milícia foi recebida com uma mistura de incredulidade e crítica por parte dos líbios, que lembram que o governo de unidade não foi capaz de oferecer uma solução para a divisão política em seus seis meses de existência.

Formado em abril, o governo ainda carece de legitimidade, que deve ser concedida pelo parlamento em Tobruk (leste) - a única instituição líbia que mantém reconhecimento internacional -, e sua autoridade só é aceita em 25% do país.

O Executivo de unidade sequer controla a capital, para onde se mudou em abril deste ano vindo da Tunísia, sem o consentimento do governo islamita da capital Trípoli, que é considerado rebelde.

Há menos de um mês, esse governo recuperou algumas posições estratégicas na capital, que é palco de intensos combates entre as distintas milícias que se distribuem nas diversas áreas de influência.

Com o apoio de combatentes da cidade de Misrata, milícias ligadas ao governo de unidade recuperaram na semana passada o controle da cidade de Sirte, que estava em poder de grupos jihadistas vinculados ao Estado Islâmico desde fevereiro de 2015, mas fracassaram na hora de assumir o controle das regiões petrolíferas sob domínio do general Khalifa Hafter, que não reconhece sua autoridade e domina o leste do país.

Hafter, que fez parte da cúpula que colocou Kadafi na poder, mas, anos depois, após ser recrutado pela CIA, se transformou no principal opositor no exílio do antigo ditador, advertiu que não retrocederá em sua luta até chegar a Trípoli.

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