Presidente da Gâmbia pede que Suprema Corte anule eleição

Dacar, 14 dez (EFE).- O partido político do presidente da Gâmbia, Yahya Jammeh, apresentou um recurso perante a Suprema Corte solicitando a anulação das eleições realizadas em 1º de dezembro, nas quais, após 22 anos no poder, foi derrotado pelo líder da oposição, Adama Barrow.

O recurso foi apresentado no final da noite de ontem, e o Tribunal deve anunciar uma decisão nos próximos dias, informou nesta quarta-feira a imprensa local.

Segundo a Aliança Patriótica para a Reorientação e a Construção (APRC), formação de Jammeh, durante as eleições houve "várias irregularidades" e "falta de imparcialidade" por parte da Comissão Eleitoral, o que possibilitou a vitória da oposição.

Jammeh reconheceu sua derrota em 2 de dezembro e felicitou publicamente o presidente eleito, mas uma semana mais tarde rejeitou os resultados e anunciou que apresentaria um recurso judicial.

A oposição advertiu que a Suprema Corte não pode tomar uma decisão deste calibre com o único juiz do que dispõe.

Os outros quatro magistrados que integravam esta Sala foram despedidos por Jammeh há um ano e suas vagas ainda não foram ocupadas.

Além disso, considera que o presidente, uma vez derrotado, carece de legitimidade para nomear os novos membros do Tribunal, que atualmente não oferece nenhuma garantia de imparcialidade.

"Não existe na Gâmbia nenhum mecanismo legal para examinar o recurso apresentado por Jammeh", comentou o Colégio de Advogados gambiano em comunicado.

O partido de Jammeh apresentou o recurso durante as reuniões que mantiveram ontem líderes da Comunidade Econômica dos Estados de África Ocidental (Cedeao) com o presidente para pedir que reconheça sua derrota e abandone o poder no final de janeiro, conforme dita a Constituição.

Enquanto eram realizados estes encontros, Jammeh ordenou um desdobramento das forças de segurança nas imediações da sede da Comissão Eleitoral para bloquear seu acesso.

Várias organizações internacionais incluídas a ONU, a União Africana, a União Europeia e Estados Unidos condenaram a atitude de Jammeh.

O presidente da Comissão da Cedeao, Marcel de Souza, afirmou em entrevista à imprensa que não descarta uma intervenção militar para restabelecer a legalidade constitucional.

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