Putin encerra 2016 sem desgaste aparente e com atenção voltada aos EUA

Bernardo Suárez Indart.

Moscou, 14 dez (EFE).- O presidente da Rússia, Vladimir Putin, acaba sem desgaste aparente o pior ano de suas relações com o Ocidente e com a esperança de que a chegada de Donald Trump à Casa Branca traga consigo uma melhora no diálogo entre Moscou e Washington.

Em 2016, Putin teve que enfrentar não só a ampliação das sanções contra seu país por causa do papel de Moscou na crise na Ucrânia, mas também acusações de crimes de guerra na Síria, onde a Rússia combate do lado do regime do presidente Bashar al Assad.

Como se isto fosse pouco, em Washington se multiplicaram as denúncias sobre a ingerência da Rússia, com ataques cibernéticos incluídos, na campanha à presidência dos Estados Unidos para favorecer Trump, supostamente mais conveniente aos interesses de Moscou.

A reação da Casa Branca não se fez esperar: ordenou o planejamento de um ataque cibernético contra a Rússia de grande envergadura, que seria realizado quando considerado oportuno, segundo fontes dos serviços secretos americanos.

No entanto, o término do mandato de Barack Obama tirou peso da ameaça, e Moscou destacou que espera que com o novo presidente dos Estados Unidos melhore o diálogo entre os dois países, embora tenha deixado claro que não será um processo fácil nem rápido.

Um sinal eloquente dos ânimos reinantes na aula política russa foram os aplausos com que a Duma, a Câmara dos Deputados, recebeu a notícia da vitória de Trump.

Alguns deputados como o líder do ultranacionalista Partido Liberal Democrático, Vladimir Jirinovski, comemoraram com champanhe a vitória eleitoral do controvertido bilionário.

Em Moscou consideram que Trump verterá seus esforços principalmente na política interna dos EUA, o que poderia redundar em benefícios para a Rússia no campo internacional.

Após a euforia inicial causada pela vitória do candidato republicano, o Kremlin fez apelos por cautela e para esperar com paciência a formação da equipe que acompanhará o novo chefe da Casa Branca.

No âmbito doméstico, as dificuldades econômicas, provocadas pela queda dos preços do petróleo e pelas sanções ocidentais, não afetaram Putin, cuja liderança, 17 anos após chegar ao poder, nada nem ninguém parece poder obscurecer.

Segundo um recente estudo do Ministério da Economia da Rússia, que adverte que as sanções econômicas ocidentais serão de longa duração, o país sofrerá 20 anos de estagnação econômica.

"Nosso sistema macroeconômico se parece com alguém que sofreu um infarto do miocárdio", declarou por sua vez o economista Sergei Glaziev, conselheiro de Putin.

No entanto, o apoio recebido por Putin no país continua em cotas inalcançáveis para o comum dos políticos ocidentais: em torno de 70%, segundo diversas pesquisas.

Escândalos como a prisão, em novembro, do já ex-ministro de Economia Alexei Uliukayev, acusado de extorsão e de aceitar um suborno de 2 milhões de dólares, não afetam a popularidade do presidente russo, acima do bem e do mal no imaginário popular.

Os advogados do ex-ministro defendem a inocência de seu cliente e sustentam que sua detenção aconteceu em transgreção à legislação vigente.

Em círculos opositores, o caso Uliukayev é visto como um reflexo da agudização da luta entre diversos grupos de poder próximos ao chefe do Kremlin, para um ano que será marcado pela campanha para as eleições presidenciais de começos de 2018.

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