António Guterres escolhe 3 mulheres como base de sua equipe na ONU

Mario Villar.

Nações Unidas, 15 dez (EFE). - Três mulheres serão os "alicerces" da equipe do próximo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, que com as primeiras nomeações lançou nesta quinta-feira um recado claro em favor da igualdade de gênero na organização.

A atual ministra do Meio Ambiente da Nigéria, Amina Mohammed, será a vice-secretária-geral; a brasileira Maria Luiza Ribeiro Viotti será a chefe de gabinete e a sul-coreana Kyung-wha Kang será sua assessora especial para assuntos políticos.

"Estas indicações são o alicerce do meu time, que continuarei a construir, respeitando meu compromisso de igualdade de gênero e diversidade geográfica", afirmou ele em comunicado.

Guterres foi eleito em outubro para ser o próximo secretário-geral da ONU, apesar de dezenas de países promoverem uma campanha para que, pela primeira vez, uma mulher ocupasse esse cargo.

O português, que rapidamente despontou como candidato de consenso, se comprometeu desde o princípio a impulsionar a presença das mulheres dentro das Nações Unidas. De fato, entre seus compromissos está o de conseguir até o fim de sua gestão a "total paridade de gênero" nos mais altos postos da organização, incluindo seus representantes e enviados especiais.

Com as nomeações de hoje, ele deu um nítido passo nesse sentido, colocando três especialistas do sexo feminino em importantes cargos da Secretaria-Geral. A origem das escolhidas - uma africana, uma latino-americana e uma asiática - mostra também sua vontade em garantir uma adequada representação geográfica na cúpula da ONU.

Amina, a nova número dois das Nações Unidas, tem 55 anos e foi nomeada no ano passado ministra do Meio Ambiente da Nigéria. Anteriormente, tinha sido assessora especial do atual secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para as políticas de desenvolvimento. Nesse posto, se transformou em uma das maiores responsáveis pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), a grande estratégia contra a pobreza que substitui os Objetivos do Milênio e que é um dos pontos mais importantes do legado de Ban.

Antes, Amina, que também é professora adjunta na Universidade de Colúmbia, em Nova York, ocupou vários cargos na administração de seu país. Estudou na Nigéria e no Reino Unido, é casada e tem seis filhos, conforme a biografia fornecida hoje pela ONU.

Já o posto de chefe de gabinete do secretário-geral seguirá nas mãos da América Latina com a nomeação da mineira Maria Luiza, que vai suceder o guatemalteco Edmond Mulet, que tinha substituído à argentina Susana Malcorra. Maria Luiza é diplomata de carreira e atualmente ocupa o cargo de subsecretária para Ásia e Pacífico do Ministério de Relações Exteriores. No passado, foi embaixadora do Brasil nas Nações Unidas e na Alemanha.

Estudou economia na Universidade de Brasília (UnB) e presidiu o Conselho de Segurança da ONU em fevereiro de 2011. Nascida em 1954, é casada e tem um filho.

Kyung-wha Kang, por sua vez, ocupará um cargo novo, o de assessora especial em política de Guterres, com quem veio trabalhando desde sua eleição, pois é a atual chefe de sua equipe de transição. Entre 2007 e 2013, a sul-coreana atuou como alta comissária adjunta para os Direitos Humanos da ONU e desde 2013 é subsecretária geral adjunta para Assuntos Humanitários.

Guterres destacou as três como "mulheres muito competentes", escolhidas por "suas sólidas histórias em assuntos globais, desenvolvimento, diplomacia, direitos humanos e ação humanitária". Vários países destacaram hoje as nomeações como uma demonstração "real" de compromisso do novo chefe da ONU. Liderados pela embaixadora colombiana, María Emma Mejía, as dezenas de Estados-membros que tinham se unido para pedir uma secretária-geral, anunciaram neste mês que continuarão com sua atividade, agora para impulsionar a igualdade de gênero na organização.

Segundo dados divulgados pela ONU neste ano, as mulheres representam apenas 34,8% do total de integrantes da organização. A presença feminina é ainda menor nos postos mais altos, pois das 79 posições na categoria de secretário-geral adjunto, somente 17 são ocupados por mulheres.

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