ONU supervisionará e prestará assistência em retirada no leste de Aleppo

(Atualiza com mais declarações de Egeland).

Genebra, 15 dez (EFE).- A ONU supervisionará e prestará assistência na retirada que está sendo realizada a partir desta quinta-feira no leste da cidade de Aleppo, região controlada pela oposição ao regime do presidente da Síria, Bashar al Assad.

"Fomos convidados nesta manhã a supervisionar, auxiliar a retirada que acontece desde os enclaves que permanecem sob controle dos grupos armados da oposição no leste de Aleppo", afirmou em entrevista coletiva o responsável humanitário para a Síria, Jan Egeland, que acrescentou que foi a Rússia quem solicitou sua participação.

Além disso, o diplomata relatou que não se trata de um acordo organizado e mediado pela ONU, mas de um pacto "entre as partes" na guerra.

"Gostaríamos de ter feito parte desde o início para que pudessemos nos organizar melhor", ressaltou Egeland.

"Tivemos que improvisar esta manhã quando nos convidaram para participar da evacuação", comentou o diplomata, que acrescentou que "muitos trabalhadores humanitários se ofereceram para ajudar" imediatamente.

Egeland indicou que a operação terá três eixos: haverá a remoção médica de feridos e doentes, de civis vulneráveis e de combatentes.

"Esperamos que hoje vejamos o princípio de uma última e bem-sucedida tentativa de evacuações deste terrível lugar", afirmou o diplomata.

O especialista explicou que uma equipe da Organização Mundial da Saúde (OMS) já conseguiu entrar na zona leste de Aleppo e está com as ambulâncias que estão removendo os doentes, feridos, civis e combatentes.

Alem disso, Egeland disse que entre os civis que serão retirados do leste de Aleppo, há dois grupos de menores de idade não acompanhados.

O diplomata comentou que as equipes da ONU acompanharão os que estão deixando a zona leste de Aleppo, especialmente os rebeldes que assim desejarem, até a província de Idlib, que é controlada pela oposição, e também até a Turquia.

Em Idlib, a ONU estabeleceu dois pontos de controle para registrar os evacuados e a partir de onde serão feitas as distribuições: se permanecerão na cidade, se serão deslocados para áreas rurais da província ou se serão levados para a Turquia.

"Os evacuados são livres para escolher para onde querem ir, supomos que a maioria desejará ir para regiões controladas pela oposição", explicou o coordenador humanitário.

Além disso, o representante da ONU disse que a organização está conversando com a Turquia sobre a possibilidade de estabelecer dois grandes campos para receber refugiados sírios.

Segundo Egeland, o processo de evacuação para Idlib poderá ser feito "porque a Rússia assegurou que haverá uma pausa nos combates".

"Mas tenho medo do que pode acontecer quando esta operação terminar, tanto pela população de Idlib como por outras partes do país que ainda estão em conflito, onde há centenas de milhares de deslocados em meio à guerra", confessou Egeland.

O diplomata disse que a ONU tem capacidade para oferecer assistência para 100 mil pessoas em Idlib, mas não foi capaz de especificar quantos evacuados espera ajudar.

Por outro lado, o coordenador humanitário indicou que as Nações Unidas estimam que 50 mil pessoas fugiram nos últimas semanas da zona leste de Aleppo e se encontram na parte ocidental da cidade, ou nas áreas curdas ao norte, e, inclusive, em algumas partes da zona leste, e que a ONU "está disposta a ajudá-los".

Egeland disse não poder calcular quantas pessoas permanecem na parte oriental e, inclusive, pôs em dúvida o número de 250 mil pessoas que a ONU ventilou durante meses, que - segundo ele - "poderia estar equivocado".

Além disso, o diplomata especificou que a ONU ainda não pode proteger os deslocados, porque não tem contato direto com eles, pois seus funcionários e voluntários "não têm liberdade de movimento", mas que está preparada para fazê-lo.

A ajuda distribuída pela ONU está sendo entregue em dois campos de deslocados na cidade.

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