Palestina perde presença internacional e Abbas reforça sua liderança interna

Ana Cárdenes.

Ramala (Cisjordânia), 15 dez (EFE).- A Palestina termina o ano de 2016, no qual pagou um alto preço pela onda de ataques e perdeu respaldo internacional, imersa em uma crise que impediu as eleições locais e com um presidente, Mahmoud Abbas, reforçado na liderança do partido, mas com menos apoio na rua.

O começo do ano esteve marcado por três meses de persistente violência, com uma onda de ataques com arma brancas de palestinos e uma dura resposta das forças de segurança israelenses, que mataram dezenas de palestinos, a maioria agressores.

Desde outubro de 2015 e até o último mês de março, os incidentes violentos foram constantes, com ataques, mortos e feridos a cada semana, em um gotejamento imparável que instigou o temor de um levante maior, mas a partir de abril a violência começou a ceder e os ataques reduziram em intensidade e no saldo de vítimas.

Desde o começo da onda até o final de novembro morreram um jordaniano e 242 palestinos, dois terços deles agressores - provados ou suspeitos - e os demais em manifestações e protestos.

Em decorrência dos ataques morreram 42 pessoas: 38 israelenses e quatro de outras nacionalidades.

Israel aumentou as medidas de segurança, sobretudo em Jerusalém, e aplicou o que os palestinos denunciaram como uma política de "gatilho fácil" com "execuções extrajudiciais".

A Anistia Internacional denunciou em setembro "um desprezo absoluto pela vida humana por parte das forças israelenses" e as acusou de 20 casos de "homicídios aparentemente ilegítimos".

Os ataques, em sua imensa maioria de jovens sem filiação política nem extremista religiosa, mostraram o desespero e falta de horizonte que se vive na Palestina.

Abbas não consegue entusiasmar seu povo nem propor-lhe uma saída.

Nas ruas a ele é atribuída a falta de soluções e, também, o fracasso da reconciliação com o Hamas, que governa em Gaza desde 2007 enquanto o Fatah, o partido de Abbas, controla a Cisjordânia.

O acordo tácito entre ambos para realizar eleições municipais em outubro, que teriam sido as primeiras simultâneas em uma década, foi um curto sonho que durou apenas alguns meses.

Após a formação da comissão eleitoral, a elaboração de censos e a apresentação de candidaturas, a repressão aos rivais e a suspensão em Gaza de listas do Fatah levaram ao cancelamento do pleito.

Enquanto os palestinos não podem sequer escolher seus prefeitos, Abbas se perpetua em um cargo para o qual foi eleito em 2005 por quatro anos e o parlamento - formado em 2006 para o mesmo período - segue inativo.

A internação de Abbas por um problema cardíaco em outubro voltou a pôr sobre a mesa o assunto de sua sucessão.

Com 81 anos, acumula os cargos de líder do Fatah, presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP) e da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) e chefe das Forças de Segurança.

Neste ano cresceram as vozes que pedem a designação de um sucessor, tanto na Palestina como em países-membros: Egito, Jordânia, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita pressionaram Abbas para que nomeie um substituo e se reconcilie com seu rival Mohammed Dahlan, expulso do Fatah em 2011 e acusado de corrupção.

Abbas reagiu convocando aceleradamente um congresso de seu partido, que inaugurou com um voto à mão alçada para reelegê-lo como presidente da legenda, sem outro candidato ao cargo.

O que se anunciou como um "congresso de renovação", no qual se esperava escolher um vice-presidente do Fatah, serviu para reforçar sua liderança, confirmar a expulsão de dezenas de membros nos últimos cinco anos e deixar claro que, enquanto ele estiver ali, Dahlan não é uma opção.

Na frente israelense, Abbas seguiu firme em sua recusa a reiniciar negociações se não se cumprirem três condições: a paralisação de crescimento das colônias, a libertação dos presos anteriores aos Acordos de Oslo (1993) e um roteiro e calendário para o diálogo.

Perante a paralisia do processo de paz desde 2014, os palestinos seguiram promovendo a internacionalização do conflito, mas, com a violência fazendo estragos em outros países do Oriente Médio e dezenas de milhares de refugiados cruzando o Mediterrâneo, a questão palestina perdeu peso na agenda internacional este ano.

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