Paquistão reduz violência extremista, mas não a elimina

Jaime León.

Islamabad, 15 dez (EFE).- A violência extremista continuou diminuindo no Paquistão em 2016, em meio à intensificação das históricas tensões com a Índia e a saída de mais de meio milhão de refugiados afegãos que viveram durante décadas em solo paquistanês.

O país asiático manteve a tendência iniciada em 2014, após o início de uma operação militar nas zonas tribais contra os grupos insurgentes, com uma nova redução da violência islamita e suas vítimas.

Até o final de novembro, 603 civis morreram em ataques talibãs e de outras organizações, cerca de 30% menos que em 2015, quando houve 940 mortes, e muito abaixo das três mil vítimas de 2013, segundo o Portal de Terrorismo do Sul da Ásia, que estuda a violência na região.

Apesar disso, o Paquistão não se livrou do terrorismo, que causou 60 mil mortes nos últimos 15 anos, segundo números não oficiais das autoridades do país.

Em março, a explosão de uma bomba em um parque infantil na cidade de Lahore causou a morte de 73 pessoas, um ataque que lembra o atentado talibã em uma escola que causou a morte a 125 estudantes em 2014 em Peshawar.

Outros grandes ataques foram o massacre de 72 advogados em um hospital em Quetta, em agosto, e a morte de 62 cadetes em uma academia de polícia da mesma cidade, em outubro.

A maioria dos atentados não foi reivindicada pelo principal grupo talibã do país, o Tehrik-i-Taliban Paquistão (TTP), mas por cisões ou facções como o Jamaat ul Ahrar e o Estado Islâmico (EI), que reivindicou a autoria do massacre dos cadetes.

O exército continuou com as operações militares nas áreas tribais, as quais afirmou ter sob controle, embora num ritmo menor em relação ao ano anterior.

A frágil democracia paquistanesa viu pela primeira vez em 20 anos uma mudança à frente do exército de acordo com os termos e prazos estabelecidos, e Raheel Sharif, considerado um herói pela imprensa do país por sua luta antiterrorista, deixou o cargo após três anos de comando.

O primeiro-ministro, Nawaz Sharif, então elegeu para ocupar o posto mais poderoso do país o general Qamar Javed Bajwa, considerado o menos político dos candidatos ao cargo e formado nos Estados Unidos e Canadá.

As forças armadas governaram o Paquistão durante metade de sua história desde sua independência, em 1947, e quando não ostentaram o poder diretamente, exerceram uma grande influência em política externa e segurança.

A mudança à frente do poderoso exército coincidiu com a primeira transição democrática entre dois governos escolhidos nas urnas, em 2013, após os quatro golpes militares desde 1947.

A melhora da situação de segurança interna não ajudou a estabilizar a histórica tensão na relação com a Índia, que passa por um momento mais difícil que o habitual, com contínuas trocas de disparos na Caxemira, que já deixaram mais de 50 de mortos entre militares e civis.

A tensão entre as potências nucleares aumentou em setembro, após um atentado de um grupo insurgente supostamente paquistanês que causou a morte de 19 soldados em solo indiano. A Índia, por sua vez, respondeu com ataques "cirúrgicos" contra supostos corredores de terroristas e uma campanha para isolar internacionalmente o Paquistão, o que levou à expulsão de diplomatas dos dois países sob a acusação de espionagem.

Além disso, e a decisão da Índia de não participar da cúpula da Cooperação Regional do Sul da Ásia (Saarc), programada para novembro em Islamabad, provocou o cancelamento do evento.

Paralelamente, aproximadamente 600 mil, dos cerca de 2,3 milhões de refugiados afegãos que vivem no Paquistão desde o êxodo que começou com o conflito entre Afeganistão e União Soviética, retornaram a seu país após o ultimato de Islamabad para que abandonassem o território paquistanês.

Entre os que voltaram ao Afeganistão, que vive um de seus períodos mais violentos desde a invasão americana de 2001, está Sharbat Gula, menina que em 1985 estampou a capa da revista "National Geographic" após ser fotografada por Steve McCurry.

Sharbat foi detida por posse ilegal de um documento de identidade paquistanesa, presa e sentenciada a 15 dias de prisão e a ser extraditada em novembro.

Mais de três décadas depois, ela novamente se tornou um símbolo dos imigrantes não desejados.

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