Promotoria pede absolvição de diretora do FMI em julgamento por negligência

Paris, 15 dez (EFE).- A Promotoria da França pediu nesta quinta-feira a absolvição da diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, em um julgamento em que ela é acusada de negligência enquanto ocupava o Ministério de Finanças do país durante o mandato do ex-presidente Nicolas Sarkozy.

O promotor Jean-Claude Marin ressaltou na Corte de Justiça da República (CJR) que o processo, que começou na última segunda-feira, não conseguiu estabelecer certeza para que Lagarde fosse condenada. Para ele, ela só poderia ser politicamente responsabilizada.

Marin reforçou a posição do Ministério Público, que durante a fase de instrução já tinha solicitado o arquivamento do caso contra a ex-ministra, e reiterou que o julgamento está no "limite entre a política e a justiça".

Lagarde era julgada por uma decisão tomada em 2007 de decretar uma arbitragem - em vez de recorrer à Justiça - para solucionar uma disputa que se arrastava desde os anos 1990 com o empresário Bernard Tapie pela venda da Adidas ao Crédit Lyonnais, na época um banco público.

O promotor considerou que a diretora-gerente não é reprovada pela inação na gestão do litígio, mas sim por "ter atuado e se equivocado". Para Martin, os juízes terão que determinar se Lagarde foi negligente de forma deliberada ou se só tomou uma decisão que pode ser analisada do ponto da responsabilidade política.

"É um processo atípico porque é um processo político penal sem acusação, que parece totalmente incompreensível", disse o promotor.

Caso Lagarde seja condenada, ela pode ser condenada a um ano de prisão e ao pagamento de 15 euros de multa.

O promotor reforçou que durante a fase de instrução não foram apresentadas "provas suficientes" para acusar a ministra.

A arbitragem determinada por Lagarde resultou em uma polêmica decisão favorável ao empresário, que era próximo a Sarkozy, e teve um custo de 403 milhões para o governo da França.

A diretora do FMI não só apostou na arbitragem contra a opinião da Agência de Participações Estatais, mas também não recorreu da sentença dos árbitros, apesar de alguns relatórios dentro do próprio Ministério de Finanças recomendassem que ela recorresse.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos