Shinzo Abe e Vladimir Putin se reúnem no Japão e abordam disputa territorial

Antonio Hermosín.

Tóquio, 15 dez (EFE).- O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, mostraram nesta quinta-feira boa sintonia durante uma cúpula na qual abordaram a disputa territorial dos países e abriram as portas para um futuro acordo de paz.

Na terceira reunião realizada este ano entre os dois líderes, Abe e Putin puseram sobre a mesa várias fórmulas para se chegar à uma resolução para a disputa pela soberania das ilhas Curilas, que desde o fim da Segunda Guerra Mundial dificulta as relações bilaterais entre os países.

Este foi o principal tema que ocupou os líderes durante o primeiro dia da visita do chefe do Kremlin ao Japão, que aconteceu em um bucólico ryokan (hotel tradicional japonês) de Nagato, cidade natal de Shinzo Abe, ao sudoeste do país.

"Tivemos uma sincera e profunda troca de opiniões", afirmou Abe ao término da primeira rodada de reuniões, que durou aproximadamente três horas e teve "ambiente muito bom".

Os líderes debateram como estreitar suas relações econômicas, comerciais e exteriores, e apostaram na "cooperação conjunta para resolver muitos assuntos", segundo Abe, que destacou "o papel construtivo da Rússia" nas relações internacionais.

Para abordar o assunto das ilhas Curilas, o primeiro-ministro japonês escolheu a privacidade de um onsen (balneário japonês), cenário pouco habitual para cúpulas, onde os líderes estiveram acompanhados apenas por seus intérpretes.

Lá, conversaram sobre a possibilidade de permitir "atividades econômicas conjuntas" nas Curilas meridionais, ilhas que ficaram sob a soberania soviética após Segunda Guerra Mundial e cuja devolução o Japão reivindica com insistência desde então.

Amanhã, Abe e Putin devem assinar uma série de acordos econômicos e de investimento, entre outros atos incluídos na agenda do líder russo.

Putin, que permanecerá apenas 48 horas no Japão, chegou hoje a Yamaguchi com quase três horas de atraso por ter que tratar da possível participação russa na evacuação de Aleppo durante o conflito da Síria, explicou um porta-voz do Kremlin à emissora japonesa "NHK".

Apesar de os líderes se encontrarem com frequência - 16 reuniões durante os dois mandatos de Abe -, a visita de Putin é a primeira de um presidente russo ao Japão em 11 anos, além de seu primeiro encontro com um líder do G7 desde o conflito da Crimeia.

O premiê japonês tenta equilibrar as relações com Moscou, que detém recursos energéticos que interessam a Tóquio, enquanto a Rússia encara com bons olhos uma aproximação comercial com país asiático, num momento em que sua economia sofre com as sanções internacionais.

Por um lado, o Japão apoiou as sanções impostas a Moscou por anexar a península da Crimeia em 2014 e respaldar os separatistas pró-Rússia no leste ucraniano, o que foi assinalado pelo próprio Putin como um dos fatores que impedem "uma maior confiança bilateral" e um acordo de paz.

Ao mesmo tempo, Abe tentou amenizar o descontentamento russo oferecendo a Moscou uma série de acordos comerciais centrados em maiores investimentos japoneses no leste do país.

A recente aproximação entre Tóquio e Moscou gerou muitas desconfianças nos Estados Unidos - principal parceiro internacional do Japão - durante o governo de Barack Obama, partidário de reforçar o isolamento da Rússia em represália por suas intervenções militares na Ucrânia e na Síria.

Agora, há a expectativa sobre a postura do novo governo do republicano Donald Trump, que já nomeou como secretário de Estado Rex Tillerson, chefe executivo da companhia petrolífera Exxonmobil e amigo de Vladimir Putin.

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