Aberturas econômica e política marcam início da era Macri na Argentina

Rodrigo García.

Buenos Aires, 16 dez (EFE).- A chegada de Mauricio Macri à presidência da Argentina deu um giro de 180 graus na política externa do país, um movimento marcado pela abertura das relações políticas com o mundo e pelo fim do protecionismo dos governos kirchneristas, embora a economia ainda siga sem decolar.

"Batalhamos em um ano duríssimo porque nos deixaram um país quebrado, um país com dívidas para todos os lados", disse Macri, líder da aliança conservadora Mudemos, em um discurso neste mês.

As críticas à herança recebida da ex-presidente Cristina Kirchner, que governou entre 2007 e 2015, são constantes desde o início do novo governo, que colocou como os principais objetivos acabar com a pobreza, derrotar o narcotráfico e unir os argentinos.

No entanto, Macri não conseguiu avançar em nenhum dos três pilares. O Instituto de Estatísticas, completamente questionado durante o kirchnerismo, revelou que mais de 32% dos cidadãos estão em níveis de pobreza. E a insegurança - frequentemente derivada do narcotráfico - é uma das principais preocupações.

Também não foi possível recuperar uma economia que segue em recessão - após cinco anos sem crescer -, com uma alta inflação e sem criar empregos, e não são poucos os protestos populares no período contra as medidas de ajuste implantadas por Macri, entre elas os aumentos das tarifas de gás e eletricidade.

A atividade econômica caiu 3,7% em setembro em relação ao mesmo mês de 2015. Já a indústria recuou 8% em outubro. Estima-se que 120 mil empregos formais foram fechados no país também em outubro, sobretudo no setor da construção civil.

O próprio governo reconhece que o ano de 2015 foi de dificuldades para colocar as contas nacionais em ordem, mas reitera que a economia voltará a crescer em 2017, quando os resultados de sua política começarão a aparecer. Macri, além disso, promete a "maior proporção de investimento social" na história da Argentina.

No orçamento para esse ano, já aprovado no Congresso, o governo prevê um crescimento de 3,5%, graças, em parte, a nova visão comercial para promover investimentos e favorecer as importações, revertendo o protecionismo do período anterior. A estimativa da inflação, um problema histórico da Argentina, deixará de ser uma preocupação, de acordo com as previsões oficiais. No entanto, em outubro, o índice chegou a 2,4% no país.

A normalização do mercado cambial, assim como o acordo firmado com os grandes fundos de investimento que permitiu o país sair da moratória na qual estava desde a crise sofrida em 2001, são duas das principais medidas tomadas pela equipe econômica de Macri.

Além disso, o presidente da Argentina disse estar satisfeito de ter retomado as relações diplomáticas com os principais países do mundo. Barack Obama (Estados Unidos), François Hollande (França), Matteo Renzi (Itália), Enrique Peña Nieto (México) e Shinzo Abe (Japão) são só alguns dos líderes que pisaram na Argentina desde a vitória eleitoral de Macri em dezembro de 2015.

Agora, 12 meses depois, o presidente completa o primeiro ano no poder com uma imagem positiva, segundo os principais consultores, mas com uma rejeição que começa a crescer entre a população.

Nas últimas semanas, já pensando no fim do ano, período que sempre costuma trazer forte conflito sindical, o governo e as organizações sociais chegaram a um acordo para declarar emergência social durante três anos, com um forte investimento para lutar contra a pobreza e o desemprego. Além disso, foi firmado um compromisso com os sindicatos e os empresários para evitar demissões até março do ano que vem.

No entanto, outras várias organizações se negaram a aderir ao acordo e continuam fazendo da rua o principal meio de protestos.

A incipiente boa harmonia entre diversos setores da oposição e o governo, influenciada pelo diálogo que reinou nos primeiros meses de gestão, permitiu a aprovação de projetos essenciais para Macri em um parlamento sem maioria absoluta.

Mas essa lua de mel parece ter terminado, e a oposição, que estava sem um líder claro, promete se rearmar para as eleições legislativas de 2017, uma prévia do próximo pleito presidencial.

Por outro lado, a parte mais dura e visível da oposição, comandada pelo setor kirchnerista do peronismo, acusa Macri de descumprir promessas de campanha e promover uma "perseguição judicial" contra membros do governo anterior, entre elas a própria ex-presidente, acusadas em diversas causas.

Mas o governo de Macri nega qualquer influência e insiste que o Poder Judiciário é independente.

A Justiça, porém, também está investigando alguns membros do atual governo, entre eles o próprio Macri, que foi citado no escândalo do Panama Papers.

Além disso, um promotor federal pediu a abertura de uma investigação contra o presidente e alguns ministros pela assinatura de um decreto que inclui familiares de funcionários públicos em um programa de repatriação que já foi aprovado pelo Congresso.

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