Ampliação do Canal e escândalo envolvendo offshores marcam 2016 no Panamá

Luis Miguel Blanco.

Cidade do Panamá, 16 dez (EFE).- A ampliação do Canal do Panamá, com mais de US$ 5,4 bilhões investidos, concentrou em 2016 as esperanças de prosperidade dos panamenhos, que também sofreram com o desprestígio da imagem do país por conta do escândalo das offshores conhecido como Panama Papers.

Quase uma década de trabalho de mais de 20 mil pessoas, a maioria panamenhas, terminou quando em 26 de junho foi aberto ao comércio mundial com um grande ato público o terceiro jogo de eclusas do Canal do Panamá, construído por um consórcio internacional liderado pela espanhola Sacyr.

Cerca de 400 navios Neopanamax, com capacidade de 13 mil contêineres, o triplo dos que passam pela via aberta em 1914,já atravessaram o Panamá e deixaram mais US$ 302 milhões em renda por pedágios, segundo números oficiais.

Mas a crise no comércio mundial afeta as expectativas panamenhas e a passagem da carga caiu vários dígitos no fim de 2016. Agora, a esperança é que o comércio do gás de xisto desponte em 2017 com uma nova rota que partirá da costa leste dos Estados Unidos com destino à Ásia.

Entre 2015 e 2022, a Autoridade do Canal do Panamá (ACP) planejou pagar o financiamento de parte da obra por cerca de US$ 3,703 bilhões, que obteve através de multilaterais.

O Estado obterá em dois anos o dobro dos cerca de US$ 1 bilhão gerados em 2016 pelo centenário Canal do Panamá, que o país recebeu dos Estados Unidos em 31 de dezembro de 1999 após explorá-lo por 85 anos.

A ampliação incentivou a ACP a preparar o desenvolvimento de um parque logístico no setor Pacífico que inclui a construção de um porto em Corozal para cinco milhões de contêineres, outro roll on-roll off (para descarga e carga de automóveis) e um parque industrial para dar valor agregado à mercadoria.

Isso demandará mais de US$ 2,7 bilhões em investimento público-privado, de acordo com o projeto, para gerar outras centenas de milhões adicionais de renda ao país.

Mas o Panamá pagou um preço muito alto desde que no dia 3 de abril foi revelado o escândalo dos Panama Papers, o maior vazamento de dados da história, com mais de 11 milhões de documentos da empresa panamenha Mossack Fonseca.

Essa informação, obtida de modo ilegal, revelou a ocultação de propriedades de empresas, ativos, lucro e evasão tributária de líderes da política mundial, pessoas politicamente expostas e personalidades de finanças, negócios, esportes e arte.

As 214 mil offshores usadas pela Mossack Fonseca foram distribuídas por 21 paraísos fiscais de todo o mundo, 100 mil delas nas Ilhas Virgens Britânicas, e envolveram pessoas de 14 países da África, 19 da América, 18 da Ásia, 19 da Europa e dois da Oceania, além de organismos mundiais.

O governo panamenho se queixou que o escândalo, que custou o retorno do Panamá à lista cinza da França e duras críticas públicas de alguns dirigentes da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos (OCDE), levasse o nome do país quando se baseia em uma operação legal de um escritório de advocacia.

O governo do presidente Juan Carlos Varela defendeu mediante comunicados e visitas a vários países os esforços e medidas implementadas nos últimos anos para tornar mais transparente o sistema financeiro do Panamá.

Varela também reconheceu o dano à reputação do país e ordenou em abril a formação de um comitê independente para revisar o sistema financeiro, o qual elaborou um relatório publicado em 21 de novembro com recomendações, entre elas a de que o Panamá não deve transformar em crime penal a evasão fiscal.

A plataforma financeira panamenha deve manter a atual oferta de serviços, mas precisa adaptá-la às normas internacionais de transparência para continuar competitiva, disse uma das integrantes do comitê, a ex-ministra de Comércio Gisela Álvarez.

A mesma comissão gerou outra polêmica, pois o prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz, escolhido para presidir a formação, abandonou o cargo em agosto após acusar o governo panamenho de ser pouco transparente ao não publicar integralmente os relatórios do grupo.

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