Ban insiste que paz no Oriente Médio só chegará com Estado palestino

Nações Unidas, 16 dez (EFE).- O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, insistiu nesta sexta-feira que a criação de um Estado palestino é a única saída possível ao conflito do Oriente Médio e advertiu que a política israelense de assentamentos está minando as opções de conseguir a paz.

Ban, que deixará o cargo no final do ano, se expressou assim em seu último discurso sobre o conflito palestino-israelense perante o Conselho de Segurança.

O diplomata coreano fez um balanço de seus esforços para tentar conseguir a paz durante os últimos dez anos e lamentou não poder oferecer uma mensagem otimista para o futuro.

"Estamos chegando rapidamente a um precipício como resultado direto das ações daqueles que buscam destruir as perspectivas de paz", afirmou.

Entre outras coisas, Ban reiterou sua condenação aos assentamentos israelenses na Cisjordânia e insistiu que supõem uma "violação flagrante" das normas internacionais.

Ban repetiu, além disso, as advertências das Nações Unidas sobre o projeto de lei para a legalização de enclaves judeus em território ocupado que está sendo tramitado pelo parlamento israelense.

"Peço aos legisladores que reconsiderem seguir adiante com esta lei, que terá efeitos jurídicos negativos para Israel e que diminuirá substancialmente as possibilidades de uma paz árabe-israelense", disse.

As colônias se situaram nos últimos meses no centro dos debates do Conselho de Segurança sobre o Oriente Médio, com os palestinos buscando uma resolução de condenação por parte do principal órgão de decisão da ONU.

Porém, algum movimento deveria ocorrer antes da chegada em janeiro de Donald Trump à Casa Branca, já que enquanto a Administração de Barack Obama foi muito crítica com os assentamentos, o presidente eleito anunciou que seu representante perante Israel será o advogado David Friedman, uma figura próxima à direita israelense e que apoiou a expansão das colônias.

Em seu discurso, Ban criticou hoje as chamadas de alguns políticos israelenses para uma "anexação total" da Cisjordânia e disse que os assentamentos estão ocorrendo em terras onde deve se instalar um futuro Estado palestino.

"Durante a década passada, o número de israelenses que vivem em colônias na Cisjordânia, incluída Jerusalém Oriental, aumentou mais de 30% até 600 mil pessoas", lembrou.

Ban disse também a Israel que a "ocupação" e sua "mão dura" em matéria de segurança só ajudam aos extremistas e aumentam a divisão.

Aos líderes palestinos, o chefe da ONU pediu unidade, condenou o uso da violência e reconheceu o direito de Israel a existir.

Perante a atual situação de bloqueio no processo de paz, Ban pediu ao Conselho de Segurança que "reafirme sem reservas que não há alternativa para a solução de dois Estados" e que explore um marco para resolver o conflito com negociações diretas.

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