Bélgica busca afastar estigma do terrorismo após ano turbulento

Mònica Faro.

Bruxelas, 16 dez (EFE).- A Bélgica viveu em 2016 um dos anos mais negros de sua história recente, marcado pelos atentados terroristas de 22 de março, em Bruxelas, e pelo estigma do jihadismo, que provocou um aumento da segurança nas ruas e representou um duro golpe para o comércio e o turismo do país.

O ano já começou muito obscuro para os belgas, com uma ameaça potencial multiplicada após os ataques de 13 de novembro de 2015 em Paris, que colocaram no mapa um bairro de Bruxelas até então desconhecido da comunidade internacional: Molenbeek.

Local de residência de alguns dos terroristas responsáveis pelo atentado de Paris e também conectado aos ataques cometidos na capital belga meses depois, Molenbeek é um bairro multirracional, de imigrantes e operários, com 80% da população de origem norte-africana, que, por causa dos incidentes, passou a ser associada com a ala mais radical do islã.

O governo do primeiro-ministro da Bélgica, Charles Michel, reagiu com um pacote de medidas não só destinadas a resistir à ameaça terrorista, mas também recuperar o prestígio internacional de Bruxelas, algo fundamental para a cidade que é a sede permanente das instituições que formam a União Europeia (UE).

As investigações dos atentados de Paris, que deixaram 130 mortos, evidenciaram vários erros do sistema de segurança belga. A falta de coordenação à restrição legal de realizar operações noturnas, por exemplo, podem ter permitido que Salam Abdeslam, o principal suspeito do atentado da capital francesa, escapasse.

Após quatro meses de tensão marcados pela ameaça e as constantes operações policiais, o governo conseguiu prender Abdeslam, em Moleenbek, no dia 18 de março. Mas era pouco.

A sombra do terrorismo que estava sobre a Bélgica se transformou em realidade: quatro dias depois, três suicidas provocaram o pior atentado da história do país, deixando 32 mortos e centenas de feridos no aeroporto de Zaventem, no norte de Bruxelas, e na estação de metrô de Maelbekk, perto das instituições da UE.

Tudo isso teve um impacto econômico brutal no país, especialmente na região de Bruxelas, com uma queda de 6% de todos os setores, segundo um relatório pelo Ministério da Economia, devido à contração do turismo e à reticência dos próprios belgas ao consumo.

O governo federal da Bélgica e da região de Bruxelas investiram 10 milhões de euros em comunicação para voltar a colocar a capital no mapa turístico. Desse total, 3,5 milhões de euros foram destinados à hotelaria, um oxigênio que evitou um "drama" no setor, explicou à Agência Efe o secretário-geral da Associação Hoteleira de Bruxelas, Rodolphe Van Weyenbergh.

Bruxelas também se salvou graças ao peso do turismo de negócios, menos sensível e que representa 52% das visitas à cidade, centro de várias reuniões de chefes de Estado e de governo dos 28 países-membros da União Europeia.

Apesar da tragédia sofrida no início do ano, Bruxelas respira hoje mais livre do que há um ano, quando, devido ao alerta terrorista pelos atentados de Paris, a cidade viveu um famoso "bloqueio" que manteve durante dias paralisado o metrô, o comércio e as escolas. A medida semeou o pânico entre a população às vésperas do Natal, ponto alto da temporada turística.

O setor coloca todas as esperanças no inverno, com uma proposta melhorada para aproveitar o Natal, apesar da manutenção das fortes medidas de segurança e de combate à ameaça terrorista, que permanece em um nível de alerta três, de quatro possíveis.

O novo projeto também conta com Molenbeek como um local transformado em centro das rotas turísticas propostas pela "Visit Brussels" (Visite Bruxelas).

O órgão oficial de turismo oferece desde passeios de bicicleta a visitas "gourmet", um gesto para tentar integrar o desperdiçado bairro da capital mais multicultural da Europa.

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