Governo das Filipinas pede que relatora especial da ONU se desculpe

Bangcoc, 16 dez (EFE).- O governo filipino pediu nesta sexta-feira à relatora especial da ONU sobre execuções extrajudiciais, Agnès Callamard, que se desculpe pelo dano causado ao país com suas "conclusões arbitrárias" sobre a campanha contra as drogas do presidente, Rodrigo Duterte, que causou cerca de 5,9 mil mortes.

"Tem que se desculpar por suas conclusões arbitrárias. Tem que retirar imediatamente estas conclusões (...) porque causou um dano injusto ao país", disse o ministro das Relações Exteriores filipino, Pefecto Yasay, em Cingapura, onde Duterte realiza uma visita oficial, segundo o meio local "Rappler".

A reivindicação de uma desculpa de Callamard ocorre depois que Duterte afirmou na segunda-feira passada que ele matou pessoalmente drogados e traficantes durante patrulhas com a polícia enquanto era prefeito de Davao.

Callamard denunciou que nas Filipinas são cometidas execuções extrajudiciais na guerra contra as drogas lançada por Duterte quando começou a governar, em 30 de junho, para cumprir com sua promessa eleitoral de limpar o país de narcotraficantes e drogados.

A relatora especial da ONU também disse que nessa campanha existe, amparado pelo Estado, um descontrole nas violações dos direitos humanos.

"Ela danificou extremamente nosso país com seus comentários. O povo tirou a conclusão de que foram cometidas execuções extrajudiciais nas Filipinas, que há um descontrole nas violações dos direitos humanos e que o Estado permite", indicou Yasay.

Duterte convidou Callamard a viajar para as Filipinas em 2017, quando aceitar fazer uma acareação público com ele sobre a investigação que realiza.

O presidente filipino condenou na terça-feira as execuções extrajudiciais e ameaçou perseguir qualquer policial que as realize, só um dia após admitir que ele mesmo matou pessoalmente drogados e traficantes durante patrulhas com a polícia quando era prefeito de Davao.

A campanha contra as drogas nas Filipinas causou 5.927 mortes, das quais 2.086 foram em operações policiais e as restantes 3.841 pelas mãos de grupos civis que fazem justiça com as próprias mãos, segundo dados da polícia.

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