Guerra civil do Iêmen continua semeando morte e colhendo fome

Jaled Abdala.

Sana, 16 dez (EFE). - A guerra civil entre as forças leais ao presidente Abdo Rabbo Mansour Hadi e os rebeldes houthis no Iêmen, pelo segundo ano consecutivo, não para de degradar o país árabe mais pobre e de jogar sua população no mundo da fome e da pobreza.

Um ano e nove meses depois da intervenção da coalizão árabe liderada pela Arábia Saudita em apoio a Hadi, traduzida em intensificação do conflito, a paz segue sem perspectivas, apesar dos esforços internacionais e dos contínuos apelos pelo fim dos combates.

No último dia 12, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) voltou a pedir o fim das hostilidades, depois de advertir que 2,2 milhões de crianças sofrem desnutrição severa e necessitam de atendimento urgente. Desse total, pelo menos 462 mil delas sofrem o tipo mais grave desse problema, a desnutrição aguda grave.

Segundo a agência da ONU, menos de um terço da população tem acesso a atendimento médico e menos da metade dos hospitais está funcionando, o que se soma às dificuldades das agências humanitárias para oferecer insumos por causa do "ponto morto em que estão as partes em conflito".

A última iniciativa de paz desperdiçada foi proposta pelo secretário de Estado americano, John Kerry, e pelo enviado especial da ONU para o Iêmen, Ismail Ould Cheikh Ahmed, em outubro deste ano, depois do fracasso das conversas realizadas no Kuwait. Os houthis e seu principal parceiro, o ex-presidente Ali Abdallah Saleh, se negaram a entregar as armas e deixar as cidades que controlam, enquanto Hadi não admite compartilhar o poder com os líderes rebeldes e seus aliados e exige que renunciem à política e se exilem por dez anos.

O roteiro estipula a eleição de um vice-presidente eleito por todas as partes do conflito, no qual Hadi deveria delegar poderes e formar um governo de união nacional, além da retirada das forças rebeldes da capital iemenita e a entrega das armas.

De acordo com o analista político Yasin Al-Tamimi, no entanto, este plano, que tem o apoio do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), o principal pilar do atual presidente, que está exilado em Riad, não conseguirá acabar com o conflito.

"A iniciativa de Kerry não é adequada para acabar com a guerra e devolver a normalidade ao Iêmen, porque sua ideia elimina o governo legitimo. Parece que o governo está decidido a rejeitar esse plano e tem toda razão. Diante desta situação, a ONU terá que se impor com pressões ao Executivo, e por essa razão é impossível que tenha um sucesso absoluto", disse ele, em declarações à Agência Efe.

Paralelamente a esta última iniciativa e às "tréguas humanitárias" que intermitentemente as duas partes acertam para depois não cumprir, a última em 20 de novembro, a guerra continua, caracterizada pelos contínuos e lentos avanços das forças leais a Hadi, que contam com a cobertura aérea da coalizão árabe. Desde o começo dos bombardeios liderados pela Arábia Saudita, em março de 2015, aproximadamente, 7 mil pessoas morreram e 3 milhões se viram obrigadas a deixar suas casas, segundo a ONU.

O CCG, composto por Arábia Saudita, Emirados Árabes, Kuwait, Catar, Bahrein e Omã, justificou sua intervenção pela necessidade de salvar o presidente Hadi e resistir à influência regional do Irã, país acusado de apoiar os houthis, e outros grupos e governos xiitas em toda a região.

Neste tempo, as forças de Hadi recuperaram a maior parte das regiões do sul e do leste do Iêmen, que tinham sido conquistadas pelos houthis. No entanto, os rebeldes não deram o braço a torcer e ainda controlam áreas do norte e do oeste do país, incluindo a capital, Sana, apesar dos contínuos bombardeios e do assédio terrestre a que são submetidos.

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