Parlamento israelense declara guerra às minissaias de suas funcionárias

Elías L. Benarroch.

Jerusalém, 16 dez (EFE).- O parlamento de Israel declarou guerra às minissaias e vestidos curtos, proibidos pelas novas normas no código de vestimenta, que já geraram protestos dos círculos mais liberais e, sobretudo, das funcionárias e assessoras parlamentares.

Pelo menos 40 delas se reuniram neste semana em frente ao Knesset para protestar contra os "olhares inapropriados" dos guardas e vigias, que têm ordens de impedir o acesso de qualquer pessoa que não esteja "devidamente vestida", conforme o novo código divulgado pelo diretor-geral do parlamento, Ronen Plot.

"Em nenhum outro parlamento do mundo se vê pessoas com camisetas rasgadas e chinelos", argumentou Plot ao fornecer uma lista de peças de roupa proibidas, entre elas shorts, tops e camiseta regata.

"Nós estamos de acordo com a existência de um código de vestimenta. É o parlamento e devemos entrar nele de forma digna, mas... quem determina exatamente o comprimento apropriado de uma saia?", se queixou Shaked Hasón, líder do protesto e assessora da deputada trabalhista Merav Michaeli.

A polêmica explodiu há poucos dias, quando os guardas impediram sua entrada e de outras funcionárias e inspecionaram meticulosamente o comprimento de seus vestidos.

O jornal "Haaretz" ironizou a situação com uma caricatura na qual os guardas do parlamento medem as roupas das mulheres com uma trena.

"A ideia de medir a saia de uma mulher em público é ofensiva, causa uma sensação de desprezo", afirmou Shaked, que garantiu que não tolerará nenhuma inspeção física.

O parlamento israelense introduziu um código de vestimenta há anos, que na prática não era aplicado de forma estrita e não inclui detalhes sobre quais peças de roupa estão proibidas.

Em abril, por várias razões, entre elas a presença de vários turistas jovens com camisetas e jeans, o diretor-geral pediu mudanças e maior rigor nas inspeções, fazendo com que alguns guardas cometessem exageros.

Nos últimos dias, pelo menos sete mulheres foram impedidas de entrar no parlamento porque sua saia ou vestido eram "curtos demais", mesmo usando calças leggins ou meias escuras por baixo.

"Apoiamos uma vestimenta apropriada, mas certamente não queremos os guardas nos olhando. Ninguém decidirá por nós o comprimento do nosso vestido", argumentou Shaked.

No dia do protesto, 12 assessoras que chegaram para trabalhar de saia tiveram acesso negado, embora o parlamento só reconheça ter impedido a entrada de três.

"Não sairemos daqui até que deixem entrar todas", afirmou o deputado do partido progressista Meretz Ilan Gilon, que participava do protesto com outros colegas homens.

Um deles, o veterano professor Manuel Trajtenberg, chegou a tirar a camisa em sinal de protesto e bradou: "Amanhã, todas de burca!".

Ao contrário das funcionárias, ele não foi impedido de entrar por ser deputado.

O caso de sua assessora foi um dos mais flagrantes porque, após já ter passado pela segurança, um dos guardas a parou e pediu que abrisse o casaco para verificar o comprimento de sua saia, para em seguida ordenar que se retirasse.

"A mesquinha inspeção das mulheres no parlamento (..) nos transforma em objetos", se queixou Liron Shalish, porta-voz de uma conhecida deputada do partido de centro-direita Yesh Atid, que também não pôde entrar.

Enquanto isso, a ex-líder do partido trabalhista Shelly Yachimovich divulgou em sua conta no Twitter a fotografia de uma cerimônia oficial na qual se percebe claramente que as saias do uniforme da Guarda do Knesset são muito mais curtas do que as que usavam hoje as manifestantes.

"Pelas alucinantes regras introduzidas, até as próprias vigias serão detidas na porta", escreveu Shelly.

A forma de se vestir também foi objeto de discussão no seio do governo, depois que o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, exigiu recentemente que um ministro saísse de uma reunião para trocar a camisa rasgada que usava.

A outro, Netanyahu perguntou "O que é isto?" por aparecer de calça jeans e casaco em uma reunião do partido Likud.

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