Coalizão bombardeia pontes e infraestruturas civis para isolar EI em Mossul

Yasser Yunis.

Erbil (Iraque), 18 dez (EFE).- As principais pontes sobre o rio Tigre que cortam Mossul, último reduto dos jihadistas do grupo Estado Islâmico (EI), foram destruídos pelas tropas do Iraque que promovem uma ofensiva sobre a cidade desde outubro.

O principal responsável de Mossul, Abdelsatal al Habu, disse à Agência Efe que sete das pontes principais e outras 13 secundárias estão fora de funcionamento da província de Ninawa, da qual Mossul é capital, após ações da coalizão liderada pelos Estados Unidos e também de ataques dos próprios jihadistas.

Mas a destruição, segundo Al Habu, se concentrou em Mossul. Cinco pontes sobre o Tigre que uniam as zonas leste e oeste da cidade foram destruídas, o que afetou a circulação de veículos e pedestres.

As tropas iraquianas lutam rua a rua nos bairros do leste de Mossul contra os extremistas, que ainda se mantêm seguros nos bairros do oeste da capital de Ninawa.

Devido à destruição das infraestruturas básicas, o EI foi obrigado a transportar armas e explosivos para os combatentes no leste da cidade através de embarcações roubadas do Centro de Resgate Fluvial, órgão ligado à Defesa Civil do Iraque, disse à Efe o presidente do Comitê de Segurança de Ninawa, Mohammed al Bayati.

"A destruição (das pontes) fazia parte dos planos militares para recuperar Mossul e foram aprovadas pela aliança internacional em cooperação com os órgãos militares e de segurança", explicou Al Habu, lamentando que a reconstrução irá requerer muito dinheiro.

Para impedir a movimentação dos jihadistas entre as diferentes áreas controladas pelo EI, a coalizão liderada pelos EUA também bombardeou as principais estradas de Mossul. Dessa forma, 11 vias estratégias também foram destruídas.

O desmantelamento da infraestrutura civil também engloba sedes de governo e edifícios que os jihadistas tinham ocupado para transformá-los em quartéis ou escritórios.

Assim como a coalizão, porém, Al Habu disse que o EI explicou cinco das 13 pontes secundárias da província, entre elas a de Al Yazer, ao leste de Mossul. Essa ponte, que cruza o rio de mesmo nome, foi detonada para dar cobertura a uma possível fuga e desacelerar o avanço das tropas curdas e iraquianas.

O analista militar Raibe al Yauri defendeu a estratégia da coalizão e afirmou que o bombardeio das pontes tem como objetivo deixá-las fora de operação, não sabotar a infraestrutura do país.

Segundo o especialista, sem as pontes, as forças governamentais conseguiram diminuir o uso de carros-bombas nas regiões já recuperadas pelo Exército, onde ainda há confrontos, já que o EI não consegue levar os veículos com explosivos ao leste da cidade.

A maior parte das instalações onde os extremistas preparam os carros-bomba fica em Wasi Akab, no oeste de Mossul.

"Os bombardeios contra as pontes estratégicas, do ponto de vista militar, pode contribuir em grande medida para acelerar o processo de libertação, por cortar as provisões do EI. Não bombardear as pontes significaria mais mortes", explicou o analista.

Sobre a dificuldade da ofensiva contra a região oeste de Mossul, Al Yauri disse que a falta de infraestrutura não será um problema porque o Exército do Iraque é capaz de construir pontes flutuantes em poucas horas, como já fez em outras batalhas contra o EI.

O avanço das tropas iraquianas, que começaram a ofensiva para recuperar Mossul em 17 de outubro, desacelerou devido à resistência mostrada pelos jihadistas e à dificuldade de progredir em uma área densamente povoada.

A violência dos combates se refletiu na quantidade de mortos entre as forças governamentais. O número de soldados iraquianos mortos (1.959) triplicou em relação a outubro, quando o país perdeu 672 militares, anunciou a missão da ONU para o Iraque.

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