México se transforma no país em paz mais mortífero para imprensa

Paris, 19 dez (EFE).- O relatório anual da Repórteres Sem Fronteiras (RSF) sobre mortalidade na profissão de jornalista divulgado nesta segunda-feira revela que nove profissionais da informação foram assassinados no México em 2016, o que transforma este país no mais mortífero para a imprensa entre todos os que não estão em guerra.

No total, 57 profissionais de jornalismo foram assassinados no mundo por causa de sua profissão, dez a menos que no ano anterior, aos quais é preciso somar nove indivíduos que exerciam o jornalismo de forma não profissional e oito colaboradores de veículos de comunicação.

A RSF considera que a queda registrada no número de jornalistas assassinados responde ao fato de que muitos deles abandonaram as zonas de conflito, como Síria, Iraque, Líbia e Iêmen, que se transformaram em "buracos negros de notícias, nos quais reina a impunidade", como consequência disso.

A isso se soma, segundo o relatório, o fato de a brutalidade exercida por regimes ditatoriais contra jornalistas ter levado os profissionais a se autocensurarem por medo de serem assassinados.

Três quartos dos assassinados tinham sido ameaçados anteriormente por suas atividades jornalísticas, o que prova para a RSF "o fracasso das iniciativas internacionais destinadas à proteção dos jornalistas".

As zonas de conflito continuam sendo o principal cenário de assassinatos de jornalistas, com a Síria à frente, com 19 mortes, seguido de Afeganistão com dez, Iraque com sete, e Iêmen com cinco.

No total, 65% dos assassinatos aconteceram nessas regiões, uma tendência diferente da registrada em 2015, quando vários jornalistas foram assassinados em países em paz, como os da revista satírica francesa "Charlie Hebdo".

No entanto, a organização chamou a atenção para a situação no México em 2016, um país que não está em guerra, mas no qual as ações dos cartéis criminosos, sobretudo o "Los Zetas", impõem "um reino de terror nos estados do nordeste do Golfo do México".

O objetivo das organizações criminosas é, segundo a RSF, "dissuadir" os jornalistas de "se intrometerem em seus assuntos" e para isso "multiplicam os sequestros e os atos de barbárie".

Apesar dessa perseguição, "as autoridades policiais e judiciais, muito corrompidas, fecham os olhos", quando não contribuem no trabalho de repressão aos jornalistas, já que o relatório revela que os principais responsáveis das agressões a repórteres são agentes policiais.

Em nível internacional, a RSF afirmou que apenas quatro dos jornalistas mortos foram assassinados fora de seu país.

A organização denunciou a deterioração progressiva da liberdade de imprensa nos últimos anos em certas regiões do mundo.

Nos últimos dez anos, 780 jornalistas morreram no exercício de suas funções, com picos importantes em 2007 e 2012 (87).

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