Itália fecha 2016 com renúncia de Renzi e crise de governo "expresso"

Gonzalo Sánchez.

Roma, 20 dez (EFE).- A Itália terminou o ano de 2016 com uma crise de governo "expressa" aberta por causa da renúncia do ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, depois do fracasso do referendo ao qual submeteu sua reforma-chave, a da Constituição.

A reforma pretendia suprimir a função legislativa do Senado para simplificar o processo e, embora tenha sido aprovada pelo parlamento em 12 de abril, não recebeu o parecer positivo de três quatros da câmaras, por isso que teve que ser submetida a um referendo.

A data escolhida foi 4 de dezembro de 2016 e em breve foi compreendido que este dia poderia representar um ponto de inflexão no governo de Renzi, pois este ameaçou renunciar caso sua reforma capital fosse rejeitada pela cidadania.

A consulta, além disso, manteve as autoridades comunitárias em expectativa, já que chegou depois do "Brexit", o referendo com o qual os britânicos se expressaram em junho a favor da saída do Reino Unido da União Europeia.

Após uma ferrenha campanha eleitoral, na qual Renzi tratou de defender suas intenções modernizadoras, os resultados foram contundentes: 40,88% votaram a favor enquanto 59,12% dos eleitores foram contra

Foi então quando Renzi, que prometeu reformar o país em mil dias, anunciou sua renúncia em plena noite, sem esperar ao término da apuração e casualmente mil dias após assumir o cargo.

Renzi pôs fim a seu Executivo que, após começar a comandar em fevereiro de 2014, já é um dos mais longos da democracia italiana, depois dos de Giulio Andreotti, Bettino Craxi e Silvio Berlusconi.

Mas ao mesmo tempo abriu uma nova crise política na qual o presidente do país, Sergio Mattarella, teve que exercer o papel de "árbitro" para encontrar um governo imediatamente, devido sobretudo aos urgentes problemas que planam atualmente sobre o país.

Entre os principais empecilhos da Itália destacam-se a delicada situação de seu setor bancário, a homogenização do sistema eleitoral, a crise dos refugiados e a reparação das zonas devastadas pelos terremotos dos últimos meses.

Por estas razões de peso, Mattarella dirigiu uma transição "expressa" que levou à posse, em apenas uma semana, do que fora ministro das Relações Exteriores de Renzi, Paolo Gentiloni, de 62 anos e procedente do ala católica comunista do Partido Democrata.

Gentiloni apresentou um gabinete praticamente idêntico ao de seu antecessor, unicamente com mudanças no Interior, Exterior e Educação, e se comprometeu a continuar "a caminho de inovação desempenhada até o momento" por seu correligionário.

Em qualquer caso, o ano de 2016 foi o qual Renzi viu como eram aprovadas algumas de suas reformas de maior cunho, como sua lei eleitoral, o "Italicum", com a qual pretendia conferir maior estabilidade ao país, mas que agora pode ser modificada.

Outro dos fixos deste ano foi a aprovação das uniões civis homossexuais, "um dia de festa" para a comunidade LGBT italiana.

No plano econômico, o ministro das Finanças de Renzi -e agora de Gentiloni-, Pier Carlo Padoan, alcançou com suas receitas gerar certo crescimento econômico, embora pouco pronunciado, assim como uma tendência de baixo desemprego, tanto geral como juvenil.

O Instituto Nacional de Estatísticas (Istat) prevê um aumento de PIB de 1,1% neste ano, 0,3% a mais que no ano precedente, enquanto o governo, após um revisão em baixa, considera que a economia aumentará em 1,2%.

Neste contexto, Renzi permaneceu no cargo até que o parlamento aprovou os Orçamentos para o próximo ano, que preveem uma redução de impostos cifrada em 23,5 bilhões de euro e que era alvo de uma contínua discussão com Bruxelas.

No plano político, a Itália de 2016 constatou a disputa entre o Partido Democrata (PD), de Renzi e Gentiloni, e o Movimento Cinco Estrelas, de Beppe Grillo, desbancando do tradicional sistema bipartidário a centro-direita, liderada desde 1994 por Berlusconi.

Assim ficou demonstrado nas eleições regionais de maio, em cujo segundo turno, realizado em 19 de junho, os populistas de Grilo conseguiram arrebatar do PD importantes redutos como a industrial Turim e a capital, Roma.

Por outro lado, a Itália bateu em 2016 o recorde de chegadas de imigrantes, recebendo um total de 179.523 até 16 de dezembro, 19,36% a mais que no ano passado.

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