Pelo menos 50 civis morrem em ataques terroristas na Rep. Centro-Africana

Nairóbi, 20 dez (EFE).- Pelo menos 50 pessoas morreram recentemente em ataques perpetrados pelo grupo Retorno, Recuperação, Reabilitação (3R), que violentou, matou civis e causou o deslocamento de pelo menos 17 mil cidadãos no noroeste da República Centro-Africana, denunciou nesta terça-feira a Human Rights Watch (HRW).

Os ataques aconteceram entre 21 e 27 de novembro em Bocaranga e Koui, na província de Ouham-Pendé, no noroeste do país, informou a HRW em comunicado.

Membros do novo grupo armado 3R dispararam e mataram civis, vilentaram mulheres e meninas e saquearam e queimaram aldeias, o que obrigou o deslocamento de pelo menos 17 mil pessoas, das quais 14 mil fugiram para a cidade de Bocaranga e três mil para a fronteira com Camarões.

"O grupo armado 3R, que se diz protetor dos fulas (etnia muçulmana minoritária na região), aumentou sua força e expandiu ataques abusivos", disse o investigador da HRW na África, Lewis Mudge.

"Onde está seu marido?, me perguntaram, e disse que não estava lá. Então um deles carregou sua arma, me apontou e disse: vamos fazer sexo com você. Me jogaram no chão e (um deles) me estuprou", contou à HRW uma vítima de 30 anos.

A organização denunciou que a missão das Nações Unidas na República Centro-Africana (MINUSCA) não pode proteger completamente os civis na região, apesar de contar com 12.870 agentes, 100 deles em Bocaranga e 100 em De Gaulle, palco dos últimos ataques.

Sob o comando do autoproclamado general Sidiki Abass, o 3R surgiu no final de 2015 para proteger a população fula dos ataques dos combatentes cristãos conhecidos como "Anti-Balaka".

O país vive um complicado processo de transição desde 2013, quando os ex-rebeldes Séléka derrubaram o presidente François Bozizé, dando início a uma onda de violência sectária entre muçulmanos e cristãos que causou milhares de mortos e obrigou cerca de um milhão de pessoas a deixarem suas casas.

A eleição de Faustin-Archange Touadéra como novo presidente em fevereiro deste ano deveria abrir uma nova etapa para a República Centro-Africana, que no entanto ainda tem muitos problemas para controlar os grupos rebeldes em zonas afastadas da capital.

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