Jammeh anuncia que não deixará presidência da Gâmbia e nem sairá do país

Dacar, 21 dez (EFE).- O presidente da Gâmbia, Yahya Jammeh, anunciou nesta quarta-feira que não deixará chefia de governo apesar de ter perdido as eleições, cujos resultados rejeita por supostas irregularidades, e que também não abandonará o país para evitar um conflito social.

"Não irei. Já deixei muito claro que não aceito o resultado. Inclusive me pediram que abandonasse o país para que prevalecesse a paz, mas não irei a lugar algum", disse ontem à noite em discurso à televisão estatal reproduzido pela imprensa local.

Jammeh reconheceu sua derrota após as eleições realizadas em 1 de dezembro e felicitou publicamente o presidente eleito, o líder opositor Adama Barrow, mas uma semana depois rejeitou os resultados e apresentou um recurso perante o Tribunal Constitucional.

O presidente gambiano sustenta que "houve muitas irregularidades" no processo eleitoral, no qual, segundo ele, até 360.711 eleitores não puderam exercer o direito ao voto, e por este motivo decidiu apresentar um recurso judicial.

O bloco regional da Comunidade Econômica dos Estados de África Ocidental (Cedeao) se reuniu com ele para pedir que respeitasse os resultados e deixar o poder em 19 de janeiro, data na qual expira seu mandato.

Segundo Jammeh, os líderes africanos já tinham decidido que transfeririam este pedido inclusive antes de ser ouvido, por isso que, para ele, aquele encontro foi uma mera "formalidade".

A Cedeao advertiu que tomaria todas as medidas necessárias para fazer cumprir a vontade do povo gambiano, sem descartar inclusive uma intervenção militar, mas Jammeh respondeu ontem que não se deixará intimidar por nenhum poder alheio a seu país.

"Sou um homem de paz, mas isso não significa que não me defenda. Não sou um covarde. Ninguém pode me privar dessa vitória, exceto o todo-poderoso Alá", disse.

Jammeh, no poder há 22 anos, perdeu o pleito com 43,9% dos votos contra 44,9% de Barrow.

Além da Cedeao, a ONU, EUA, a União Europeia e a União Africana pediram que aceite os resultados e garanta uma transição pacífica. EFE

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