Maduro é denunciado por "devastação" no comércio do sul da Venezuela

Caracas, 22 dez (EFE).- O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi denunciado nesta quinta-feira pelo deputado opositor Luis Silva pela "devastação" sofrida pelos comércios no sul do país e a "ruína" gerada nessa região, depois que o governante ordenou a saída de circulação da nota de 100 bolívares.

O deputado é representante de Bolívar, estado que foi mais afetado pelos distúrbios causados quando se esgotou o tempo imposto pelo governo para que os cidadãos se desfizessem da nota de 100, a de mais alto valor e que é equivalente a, apenas, US$ 0,15.

Maduro, segundo o deputado, violou pelo menos um artigo da Constituição venezuelana e dois artigos do Código Penal o que segundo sua opinião degenerou em que agora o estado sofra uma "emergência humanitária" e esteja às portas de uma "crise de fome".

Silva disse que o presidente "ditou medidas em matéria monetária que o artigo 318 da Constituição reserva em caráter de monopólio ao Banco Central da Venezuela (BCV)" e que ao ordenar a saída de circulação da nota de 100 bolívares também violou o artigo 293 do Código Penal.

Neste último artigo se afirma que "quem tenha executado algum ato cujo objeto era expor alguma parte da República à devastação ou ao saque, será castigado com prisão de 18 meses a 5 anos".

Maduro reverteu a medida da saída de circulação da nota no domingo passado, uma semana depois de havê-la iniciado, e estendeu sua vigência até o dia 2 de janeiro próximo, embora naquele momento já haviam sido registradas três mortes nos distúrbios em Bolívar.

Silva explicou que uma alta porcentagem da população de Bolívar se viu, "da noite para o dia", sem economias pois, disse, muita gente não pôde se desfazer das notas e saiu para protestar com "raiva", manifestações que disse, ao não ter sido detidas a tempo pela Polícia, degeneraram em saques violentos.

O deputado afirmou que em Ciudad Bolívar só resta doze lojas abertas que vendem alimentos e por isso pede que se decrete a emergência humanitária, destacando que se a Promotoria não agir, a oposição levará o caso a instâncias internacionais.

Nesta quinta-feira, a Associação Bancária da Venezuela (ABV) divulgou um comunicado no qual informou que as agências estão operando com normalidade depois do caos observado nas instituições abarrotadas de clientes que queriam trocar a nota de 100 bolívares, e porque também não encontravam notas de outro valor.

A associação também indicou que está operando "toda a gama de serviços que permitem aos clientes e usuários do sistema bancário satisfazer suas necessidades financeiras".

Neste escrito, a ABV agradece a todos os funcionários das instituições bancárias "pelo importante trabalho que veio realizando, em coordenação com as outras instâncias do sistema financeiro", para manter a oferta aos clientes de um serviço "oportuno e de qualidade" dentro deste cenário.

Enquanto isso, o país inteiro espera o surgimento da nova base monetário mais adequado à alta inflação sofrida pelo país com notas de 500, 1.000, 2.000, 5.000, 10.000 e 20.000, e que deveria começar a circular no dia 15 de dezembro segundo tinha anunciado o Executivo.

O secretário-executivo da aliança opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), Jesús Torrealba, disse que o balanço do ano de 2016 é "um pouco pior que um fracasso", tanto para a oposição como para o Governo, apontando que o governo tomou "as piores decisões" para garantir a "sobrevivência" de seu projeto político.

Maduro disse que a retirada de circulação da nota teve como objetivo enfrentar as "máfias colombianas" que faziam comércio com este papel para "desestabilizar" a economia da Venezuela, uma operação na qual também estariam envolvidos a oposição venezuelana e outros personagens que vivem na cidade de Miami, nos Estados Unidos. EFE

nf/ma

(foto)

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