Patriarca católico chega a Belém para iniciar celebrações do Natal

Laura Fernández Palomo.

Belém (Cisjordânia), 24 dez (EFE).- O administrador do Patriarcado Latino de Jerusalém, Pierbattista Pizzaballa, entrou neste sábado na Basílica da Natividade de Belém após uma simbólica e tradicional peregrinação que abriu as celebrações do aniversário de Jesus no berço do cristianismo.

"É uma emoção indescritível", exclamou Dori Ghatas, palestina natural de Honduras e que vive na Itália, ao assistir à chegada de Pizzaballa, acompanhado de 30 congregações cristãs, na Praça da Manjedoura.

Papais Noel, balões coloridos, música e a emblemática árvore de Natal contribuíram para a celebração na cidade de apenas 30 mil habitantes, que fica a oito quilômetros de Jerusalém e separada por um muro que Israel construiu em 2003.

"Apesar de tudo, as pessoas aproveitam, entendeu que não é uma situação normal, com as dificuldades na organização e com um patriarca que tem que atravessar um muro ilegal para chegar a Belém", disse à Agência Efe Xavi Abu Eid, porta-voz da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Pizzaballa, designado administrador apostólico do Patriarcado Latino pelo papa Francisco em junho, realizou pela primeira vez a rota desde Jerusalém como maior autoridade eclesiástica católica na Terra Santa. Ele chegou na Praça Manjedoura de Belém por volta das 14h locais (10h em Brasília) e foi recebido por representantes das distintas ordens cristãs e notáveis da cidade, liderados pela prefeita de Belém, Vera Babún.

Após a entrada na Basílica, o administrador do patriarcado latino celebrou uma breve missa e permaneceu junto aos representantes eclesiásticos dentro do tempo à espera da missa noturna.

A Basílica protege a Gruta da Natividade onde, segundo a tradição católica, nasceu Jesus Cristo e o transforma em um dos locais mais sagrados do cristianismo, junto à Igreja do Santo Sepulcro, onde está o túmulo de Jesus, em Jerusalém.

De pouco mais de um metro de altura, a porta obriga o visitante a se agachar. Diz o costume que isso é intencional para forçar um gesto de respeito realizado pelo administrador do patriarcado.

Apesar da ameaça de chuva, cerca de sete mil pessoas se reuniram na praça, disseram à Agência Efe as forças de segurança palestinas na região. O número é maior do que no ano passado, quando a onda de violência que começou em outubro fez com que muito dos participantes da celebração ficassem em casa. Desta vez, segundo os comerciantes, faltam os turistas estrangeiros.

"É um Natal pobre, pior o que do ano passado, quase não há peregrinos, a maioria são moradores daqui, que vêm de Nablus ou Ramala (na Cisjordânia), mas não compra nada", lamenta Nadia Hasbun, uma comerciante de lembranças cristãs.

Os grupos de turistas estrangeiros eram poucos. Grande parte deles optou por ver a chegada do chefe da Igreja Católica de dentro do templo, como era o caso de Rosendo Sorando, que pela quarta vez comemora o Natal na Terra Santa.

A Missa do Galo, que será celebrada a meia-noite, deve ter a presença do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, e do primeiro-ministro, Rami Hamdala.

"Apesar da ocupação israelense, nossa presença e a preservação de nosso patrimônio cultural e nacional são a forma mais importante da resistência", disse Abbas ontem.

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